O domínio de apenas dois grandes grupos no agenciamento de jogadores da Seleção Brasileira expõe a concentração de poder que dita os rumos dos talentos nacionais no mercado global.
A recente eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, frente à Noruega, deixou feridas abertas, mas o debate sobre o futuro do nosso futebol vai muito além do que acontece nas quatro linhas. O protagonismo não está apenas nos pés dos craques, mas nos escritórios que comandam suas carreiras. Um levantamento detalhado revela que a influência sobre a Amarelinha está centralizada: quase 50% dos convocados respondem a apenas dois conglomerados de peso.
O empresário Giuliano Bertolucci e a gigante global Roc Nation Sports — que traz em seu quadro societário o icônico rapper Jay-Z — controlam 11 dos 26 nomes chamados para o mundial. Esse cenário de concentração levanta questões cruciais sobre como o mercado de agenciamento molda, hoje, a hierarquia do futebol de elite e a própria vitrine nacional.
O império de Giuliano Bertolucci
Com quase três décadas de estrada, Giuliano Bertolucci consolidou um prestígio difícil de ser desafiado. Ele é o nome por trás de pilares como Marquinhos, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães. Sua influência é tão vasta que, se somarmos jogadores que flertaram com a convocação, como Andrey Santos e Pedro, o alcance do empresário seria ainda mais avassalador.
“O foco é oferecer suporte total para que o atleta concentre seus esforços exclusivamente no desempenho dentro de campo”, reforçou a assessoria de Bertolucci, destacando que o acompanhamento pessoal é o segredo para manter seus talentos no topo da pirâmide europeia.
Roc Nation e a cultura do espetáculo
Diferente do modelo tradicional, a Roc Nation Sports trouxe para o Brasil uma visão cosmopolita e moderna. Ao adquirir a antiga TFM Agency, a empresa que gerencia astros como Vini Júnior, Endrick e Lucas Paquetá aposta na transformação do atleta em uma marca global. Para a companhia, o futebol é apenas a base de um ecossistema que envolve marketing, empreendedorismo e imagem.
“Combinamos a identificação de talentos com um planejamento rigoroso, potencializando não apenas a performance esportiva, mas as oportunidades comerciais dos nossos jogadores”, afirma Thiago Freitas, diretor de operações da agência no país.
O impacto dessa concentração
A força desses grupos cria um efeito dominó: quanto mais craques de ponta figuram em seu portfólio, mais fácil se torna atrair a próxima geração de promessas. Além do suporte jurídico e financeiro, essas agências possuem o “caminho das pedras” para os gigantes da Europa, garantindo que o jogador brasileiro seja posicionado onde há maior visibilidade e retorno.
Enquanto isso, figuras como os ex-jogadores Ricardo Scheidt e Hugo buscam seu espaço, provando que o mercado é, ao mesmo tempo, um clube exclusivo e um terreno fértil para quem entende a dinâmica do vestiário. Para o torcedor, fica o alerta: o “Raça, Amor e Paixão” que move a torcida brasileira agora convive, obrigatoriamente, com a lógica fria e implacável das grandes empresas que decidem o destino dos nossos maiores ídolos.












