Flamengo mostra queda preocupante no 2º tempo e liga alerta na briga pelo título do Brasileirão
O recente tropeço do Flamengo contra o Cruzeiro, com uma virada sofrida nos acréscimos, expôs uma fragilidade recorrente do time rubro-negro: o desempenho insatisfatório no segundo tempo.
Este padrão, que se arrasta há meses, levanta sérias questões sobre a capacidade do elenco de manter a intensidade e o volume de jogo ao longo dos 90 minutos, colocando em risco a campanha na luta pelo título do Brasileirão.
A torcida flamenguista já se acostumou a um roteiro previsível. A equipe inicia as partidas com alta pressão, sufocando o adversário e construindo vantagens.
No entanto, após o intervalo, a atuação muda drasticamente, tornando-se lenta e espaçada, incapaz de sustentar o que foi construído na primeira etapa.
A derrota para o Cruzeiro, por 2 a 1, com gol decisivo nos minutos finais, evidenciou a repetição desse problema.
O Padrão de Queda
O jogo contra o Cruzeiro no Mineirão ilustrou perfeitamente o dilema flamenguista.
O primeiro tempo foi de claro domínio rubro-negro, com pressão alta, chances criadas e um gol de Pedro coroando a superioridade. Contudo, a segunda etapa presenciou um colapso.
Estatísticas revelam a disparidade: o Cruzeiro, que somou apenas 7 finalizações nos primeiros 45 minutos, chegou a 17 na segunda etapa, demonstrando a queda de rendimento do time carioca.
Essa queda não é um fato isolado. Situações semelhantes foram observadas em outros jogos recentes, como na Copa Libertadores, contra o mesmo Cruzeiro, onde o comportamento foi idêntico: domínio inicial e queda vertiginosa na reta final.
Se no Maracanã o Flamengo conseguiu escapar, no Mineirão a conta chegou.
Físico e Mental em Xeque
As razões para essa queda são complexas e apontam para dois aspectos cruciais: o físico e o mental.
O alerta não é novo. Ainda no início do ano, Filipe Luís reconhecia publicamente que o time chegava um metro atrasado nas pressões e que o cansaço contaminava as decisões.
Trocou-se o treinador, veio Leonardo Jardim, e a queixa mudou de sotaque, mas não de conteúdo: em julho, o próprio Jardim admitiu que os resultados preocupavam e prometeu recuperar o DNA da equipe. Estamos no fim de agosto e o DNA segue aparecendo em doses de 45 minutos.
Paralelamente, a questão mental se torna cada vez mais evidente.
Um time maduro administra vantagens, esfria o jogo, mata a partida quando pode. Este Flamengo faz o oposto: desperdiça o período em que é superior e depois se encolhe, como se o placar magro fosse se defender sozinho.
Sofrer a virada aos 49, em bola na área, não é azar, é a consequência natural de 45 minutos convidando o adversário a acreditar.
A Tabela e o Ultimato
Apesar dos problemas, o Flamengo ainda se beneficia da boa campanha no início do campeonato e da força continental demonstrada na Libertadores.
Contudo, o Brasileirão é conhecido por punir a irregularidade, e cada ponto desperdiçado após o intervalo representa uma vantagem cedida a concorrentes diretos como o Palmeiras.
O próximo clássico contra o Botafogo surge como um teste decisivo.
A semana livre de jogos oferece a Jardim a oportunidade de trabalhar especificamente o problema que ele próprio diagnosticou.
No entanto, a repetição do padrão de queda pode sinalizar limitações mais profundas, seja no trabalho físico, na preparação ou no próprio modelo de jogo.
Com um dos elencos mais caros do país e peças de qualidade indiscutível, a ausência de um desempenho consistente ao longo dos 90 minutos se torna o maior obstáculo.
Sem resolver o enigma de por que o Flamengo desaparece no segundo tempo, a equipe corre o risco de se consolidar como um gigante de um tempo só, dependente do relógio e generoso com adversários que aprenderam a esperar o apito do intervalo para buscar a vitória.









