quinta-feira, junho 11, 2026

Paquetá: amadurecimento, versatilidade e o ‘camisa 10’ que agrada Ancelotti na Seleção

Paquetá: amadurecimento, versatilidade e o ‘camisa 10’ que agrada Ancelotti na Seleção
Paquetá em treino da seleção brasileira nos Estados Unidos: seriedade chama atenção — Foto: Rafael Ribeiro/ CBF
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Paquetá se firma como cérebro da Seleção, unindo maturidade e talento em busca da glória.

O presente de Lucas Paquetá com a camisa da Seleção Brasileira parece cada vez mais promissor, e o meia de 28 anos, formado no Flamengo, tem sido um dos pilares de uma equipe que busca reencontrar o caminho das grandes conquistas. Mesmo em meio a turbulências extracampo, a sua resiliência e versatilidade o mantiveram nos planos da CBF, e agora, com uma maturidade notável, ele se consolida como um raro meio-campista moderno e criativo.

A jornada de Paquetá até aqui é marcada por reviravoltas. Revelado com a irreverência típica do futebol carioca, sua venda para a Europa em 2028 abriu caminho para a reestruturação do clube que o formou. O retorno triunfal ao Brasil, como a contratação mais cara da história do futebol nacional, selou a esperança de vê-lo novamente ostentando a mística camisa 10. Embora o número, por ora, pertença a Neymar, afastado por lesão, Paquetá demonstra ter o calibre para carregar o piano.

Amadurecimento Pessoal e Profissional

O período de investigações na Inglaterra, que o ligou a esquemas de apostas e o impediu de concretizar uma transferência para o Manchester City, forçou Paquetá a recalcular a rota. Essa experiência, por mais dolorosa que tenha sido, moldou-o não apenas como atleta, mas, sobretudo, como homem. Ao lado de sua esposa, Duda, e focado em seus filhos, Benício e Fillipo, ele optou por retornar ao Brasil. A decisão visava manter-se no radar da Seleção Brasileira, uma estratégia que, felizmente, não o afastou do ciclo, mesmo com os percalços de 2023 a 2025.

Rodrigo Caetano, coordenador da Seleção Brasileira, que lançou Paquetá profissionalmente no Flamengo em 2017, atesta essa evolução. “Sem dúvida alguma, amadureceu demais, não só como atleta”, comenta. “Eu peguei ele muito garoto… Hoje é um jogador com todas as características e um grande meio-campista. Tem técnica, força, finalização. Mas como pessoa pra mim é o mesmo Paquetá, o mesmo garoto dócil, humilde, querido, que desde sempre a gente nunca perdeu a relação. Fico muito feliz de ver hoje ele como um pai de família, responsável.”

Ancelotti Aprovado: O Novo Camisa 10?

A chegada do renomado técnico Carlo Ancelotti ao comando da Seleção Brasileira foi um divisor de águas para Paquetá. O meia rapidamente conquistou a confiança do treinador, assumindo um lugar no time titular após demonstrar uma capacidade ímpar de ditar o ritmo criativo em um amistoso contra o Panamá. Nos treinos nos Estados Unidos, a comissão técnica tem se impressionado com a maturidade de Paquetá, tanto em sua postura quanto em sua performance em campo. Acredita-se que esse “ego” controlado, essa vontade de decidir e fazer a diferença, somada a um semblante mais sério e focado, pesaram a seu favor.

“É um jogador importante para nós, porque tem característica diferente dos outros meias”, resumiu o próprio Carlo Ancelotti, validando a importância de Paquetá no esquema tático.

Recuperação e Foco Total

Nas semanas que antecederam a convocação final, Paquetá contou com o suporte do Flamengo para garantir sua vaga. Um trabalho específico de recuperação de uma lesão muscular na coxa esquerda, sofrida em abril, foi fundamental. Ele não hesitou em buscar auxílio de fisioterapeutas do clube, inclusive em horários extras em sua residência, com o objetivo de retornar 100%. A estratégia de treinamento com o profissional Artur Peixoto foi mais prolongada, priorizando a recuperação completa para que o retorno aos jogos fosse o mais impactante possível. O resultado? Paquetá chegou à Seleção em plenas condições físicas, superando o fim de temporada desgastante para muitos europeus, e com o jogo criativo fluindo como nunca.

Agora, o desafio para Paquetá será manter essa chama criativa acesa, especialmente com o desfalque do lateral Wesley, cortado por lesão. Ele precisará provar que pode atuar como um terceiro meio-campista de ofício, mesmo que o jogo pelo lado direito não alcance a mesma profundidade quando ele está em campo. As formações testadas por Ancelotti nos últimos dias sugerem uma busca incessante por soluções que potencializem o talento de Paquetá, a fim de municiar os atacantes com passes precisos e associações inteligentes. O “ritmista”, como foi apelidado por Tite nas Copas de 2018 e 2022, quando ainda era um jovem em ascensão, agora, aos 28 anos, tem a responsabilidade de fazer o Brasil jogar e, quem sabe, dançar mais uma vez.

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