Às vésperas da estreia na Copa do Mundo 2026, a seleção do Haiti precisou ajustar seus uniformes após uma exigência polêmica da Fifa sobre símbolos nacionais.
A preparação do Haiti para o Mundial de 2026 ganhou um capítulo inesperado nos bastidores. A Federação Haitiana de Futebol aceitou remover uma ilustração de seus uniformes de jogo, após a Fifa classificar o design como uma possível manifestação política, o que viola o rigoroso regulamento da entidade para competições internacionais.
O desenho vetado retratava a famosa batalha de Vertières, conflito ocorrido em 1803 que foi o ponto de virada para a independência do país. Na estampa, combatentes apareciam erguendo a bandeira haitiana, um detalhe que adornava a parte inferior dos modelos produzidos pela marca colombiana Saeta.
Resistência cultural vs. Regulamento da Fifa
Embora tenha acatado a ordem para evitar problemas disciplinares antes do torneio, a federação caribenha não escondeu o descontentamento. Em declaração ao portal The Athletic, um porta-voz da equipe esclareceu que a ilustração tinha cunho exclusivamente histórico e cultural, sem qualquer intenção de promover pautas políticas.
“Após uma interpretação equivocada, dirigentes da Fifa solicitaram que a imagem fosse removida. A federação simplesmente pediu à Saeta que alterasse o desenho”, afirmou o representante da seleção haitiana.
A fabricante colombiana também se manifestou, lamentando o veto. Segundo a empresa, o conceito da camisa foi pensado para exaltar o orgulho nacional e homenagear os heróis da independência, um projeto que havia passado por todas as etapas de aprovação antes da intervenção de última hora da entidade máxima do futebol.
Simbologia e a caminhada rumo ao Mundial
A ligação do Haiti com a batalha de Vertières é profunda e vai além da estética. O país, que conquistou sua liberdade em 1804 após uma revolução de escravizados, viveu uma coincidência marcante durante as eliminatórias: a vaga para a Copa do Mundo foi conquistada justamente em 18 de novembro de 2025, data que celebra o aniversário do histórico confronto militar.
Com a decisão, os jogadores haitianos entrarão em campo com um modelo revisado. As cores tradicionais foram preservadas, mas a carga histórica da estampa foi suprimida. Agora, a seleção volta seu foco totalmente para o gramado, tentando transformar o orgulho do povo haitiano em combustível para surpreender no maior palco do planeta.









