A Uefa expressa perda de confiança em Gianni Infantino após plano “sórdido” de venda de ações da Fifa, gerando um movimento por revisão da liderança global do futebol.
A recente controvérsia envolvendo o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e sua proposta de criar uma empresa para gerenciar as principais competições, como a Copa do Mundo, e vender parte de suas ações a investidores, culminou em uma forte declaração da Uefa.
A entidade máxima do futebol europeu manifestou ter perdido a confiança no dirigente, classificando o plano como “sórdido” e carente de transparência.
Este posicionamento da Uefa não é isolado; diversas federações, incluindo as da Inglaterra, Noruega e País de Gales, já se alinharam à visão europeia e pedem uma reavaliação da liderança da Fifa.
O episódio destaca a crescente tensão nos bastidores do futebol mundial e a demanda por maior clareza nas decisões que afetam o esporte em escala global.
Plano Controversos e Desistência
O centro da discórdia foi a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE). A ideia era estabelecer uma subsidiária controlada majoritariamente pela Fifa, mas com a inclusão de investidores minoritários.
A FFE seria responsável por consolidar as operações de grandes eventos, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes, com o ambicioso objetivo de arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões).
Contudo, a iniciativa foi amplamente criticada pela falta de clareza em sua formulação.
Onda de Oposição e Boicote
A reação foi imediata e vigorosa. A Uefa foi a primeira a se opor publicamente ao projeto, ameaçando que seus 55 membros boicotariam futuras competições organizadas pela Fifa caso a proposta não fosse retirada.
Rapidamente, outras confederações, como a Concacaf (Américas do Norte e Central e Caribe) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC), também manifestaram sua reprovação em notas oficiais, reforçando a pressão global sobre Infantino.
Críticas Contundentes da Uefa
A pressão surtiu efeito, e Gianni Infantino anunciou a desistência do plano apenas três dias após sua revelação, admitindo que o projeto “criou divisões” e “não atende mais ao interesse do objetivo estabelecido em primeiro lugar”.
No entanto, a Uefa não poupou críticas, lembrando promessas de transparência feitas por Infantino em 2016, quando foi eleito.
A Uefa declarou:
Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das associações-membro da FIFA para elegê-lo presidente em 2016, ele disse: ‘É claro que temos de ser transparentes. Tenho sido assim nos últimos 15 anos da minha vida na Uefa. Vocês terão de participar diariamente da vida da Fifa’, antes de dizer aos representantes presentes: ‘O dinheiro da Fifa é o dinheiro de vocês. Não é o dinheiro do presidente. Vocês são as associações nacionais, e o dinheiro da FIFA deve servir para o desenvolvimento do futebol, e não para qualquer outra coisa.’ Ele não cumpriu nenhuma dessas duas promessas. O acordo sórdido, obscuro e de bastidores que ele arquitetou e tentou impor à força foi tudo, menos transparente.
Revisão da Liderança em Pauta
O apoio à posição da Uefa se estendeu por várias federações nacionais. A Federação Inglesa de Futebol (FA) afirmou apoiar plenamente a Uefa, declarando ser “hora de uma revisão completa e robusta da liderança e governança da Fifa para garantir que o esporte global seja gerido de forma transparente”.
A presidente da Federação Norueguesa de Futebol (NFF), Lise Klaveness, elogiou a liderança da Uefa e lamentou que a cooperação internacional tenha sido colocada em risco por “interesses individuais”.
A Associação de Futebol do País de Gales também reforçou a necessidade de uma liderança que priorize o esporte.
O episódio da proposta de venda de ações e a consequente reação em cadeia expõem fragilidades na governança da Fifa e levantam sérias questões sobre a transparência e a ética na administração do futebol mundial.
A exigência por uma “revisão completa e robusta” da liderança de Gianni Infantino indica que o debate sobre o futuro da Fifa está longe de ser concluído.
A comunidade do futebol espera por passos que garantam que os interesses coletivos do esporte prevaleçam sobre quaisquer agendas particulares.









