A crise na cúpula do futebol mundial se agrava após a AFC formalizar sua recusa ao projeto da Fifa, formando maioria contrária à iniciativa liderada por Gianni Infantino.
O cenário político no comando do futebol global atingiu um ponto de ebulição nesta sexta-feira (31). A Confederação Asiática de Futebol (AFC) oficializou sua decisão de rejeitar a proposta da Fifa para a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que permitiria a entrada de investidores privados com a compra de 20% dos direitos comerciais da Copa do Mundo.
Com essa adesão, a oposição ao projeto encabeçado por Gianni Infantino consolida uma maioria expressiva entre as confederações continentais. O movimento coloca o órgão máximo do futebol em uma posição de isolamento estratégico, após meses de negociações que, segundo as entidades dissidentes, foram marcadas por falhas graves de transparência e diálogo.
A união das potências continentais
A decisão da AFC — que representa 46 membros da entidade máxima do futebol — soma-se ao boicote já anunciado pela Uefa e pela rejeição da Concacaf. Juntos, os blocos contrários somam 136 votos, sinalizando que a resistência ao modelo de negócios proposto é ampla.
Em nota oficial, a confederação asiática foi incisiva ao criticar os métodos de gestão da Fifa:
“Tendo em conta a posição manifestada pela Uefa e Concacaf, além das divisões sem precedentes que surgiram no mundo do futebol, a AFC considera que a FFE proposta não pode, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para seguir em frente.”
Governança sob fogo cruzado
Além da rejeição financeira, a AFC apontou problemas estruturais na atual administração suíça. A entidade defende uma revisão urgente na governança da organização, argumentando que o processo de consulta atual teria gerado um afastamento nocivo entre os dirigentes da Fifa e as federações que compõem o esporte.
Sobre a importância estratégica do tema, a confederação pontuou:
“Uma proposta desta importância, suscetível de influenciar o futuro comercial, esportivo e estratégico do futebol mundial, não deve avançar após um processo que possa dar a sensação de ter afastado as confederações, federações membros e até mesmo altos dirigentes da Fifa.”
O futuro das negociações
Enquanto a Uefa já prometeu boicotar competições futuras sob a chancela da Fifa caso o plano avance, as atenções se voltam para a Conmebol e a CAF (África). A confederação sul-americana, até o momento, mantém um silêncio cauteloso, sendo a única entre as grandes a não se posicionar publicamente.
O impacto dessa resistência coletiva coloca o futuro do projeto Fifa Forward Enterprise em xeque, forçando a cúpula da entidade a buscar alternativas ou enfrentar um racha histórico.









