A presença da psicóloga Marisa Santiago na comissão técnica da Seleção Brasileira durante a Copa de 2026 marca um novo capítulo na gestão emocional do futebol nacional sob Ancelotti.
A saúde mental deixou de ser um tabu para se tornar um pilar estratégico na busca pelo hexacampeonato. Pela primeira vez na história, a Seleção Brasileira masculina conta com uma psicóloga integrada ao dia a dia da delegação em uma Copa do Mundo. A atuação de Marisa Santiago tem sido um diferencial competitivo, ajudando os atletas a lidarem com a pressão monumental que acompanha a camisa verde e amarela.
Integrada ao grupo desde 2024, ainda sob a gestão de Dorival Júnior, a profissional consolidou seu espaço com a chegada de Carlo Ancelotti. O técnico italiano, conhecido por seu perfil agregador e estudioso, deposita total confiança no trabalho da psicóloga, utilizando suas observações para ajustar o ambiente coletivo e manter o foco do elenco blindado contra distrações externas.
O respaldo de Ancelotti e a quebra de paradigmas
A influência de Marisa Santiago dentro do vestiário é crescente. Em declarações recentes durante o Mundial, Ancelotti não poupou elogios à metodologia aplicada. Para o treinador, a tranquilidade exibida pela equipe em campo é reflexo direto desse suporte especializado.
“Marisa está trabalhando muito bem com a gente. Hoje a equipe estava mais tranquila, focada no jogo, com mais tranquilidade na jogada, perdemos poucas bolas. A equipe jogou bem em nível coletivo.”
Embora ainda exista uma resistência natural de alguns jogadores em relação ao acompanhamento psicológico, o tabu está sendo rompido. A estrutura montada em Basking Ridge, Nova Jersey, permite atendimentos individuais, além de uma presença constante da profissional nos treinos, transformando observações cotidianas em ferramentas de motivação e suporte emocional.
Um legado de profissionalismo na CBF
A presença feminina na delegação brasileira, que inclui nomes como Claudia Faria e Andreia Picanço, reforça uma nova era de gestão na CBF. Sob a coordenação executiva de Rodrigo Caetano, a contratação de Marisa Santiago foi uma aposta calculada. Com vasta experiência em clubes como Atlético Mineiro, Bahia, Cruzeiro e Grêmio, ela trouxe uma vivência multidisciplinar para o esporte de alto rendimento.
“O atleta antes de ser profissional, ele é também um ser humano. Eles não são diferentes de vocês. Eles podem ser tratados de forma diferente, mas têm as mesmas dificuldades, fragilidade e ansiedade. Desde que chegamos na CBF, trouxemos esse serviço da psicologia voltada para a saúde mental.”
Historicamente, a Seleção Brasileira teve passagens pontuais de psicólogos, como nas eras Luxemburgo e Felipão. No entanto, a continuidade do trabalho de Marisa, que já soma 30 jogos com a equipe, sinaliza que a psicologia agora é uma política de estado na Seleção. O sucesso dessa integração fortalece o grupo para os desafios que virão na sequência da Copa, provando que o equilíbrio emocional é, sem dúvida, o combustível necessário para alcançar o topo do mundo.










