Sete grupos políticos do Flamengo protocolaram um pedido formal de afastamento contra o vice-presidente de Administração, Marcos Motta, alegando grave conflito de interesses por atividades profissionais externas.
A política interna do Flamengo vive um momento de intensa ebulição. Em um documento oficial protocolado no último dia 20 de agosto, sete grupos de sócios uniram forças para solicitar a saída do vice-presidente de Administração, Marcos Motta. A representação, que já chegou às mãos da cúpula rubro-negra na Gávea, aponta uma incompatibilidade ética entre as funções do dirigente no clube e sua atuação privada no mercado jurídico esportivo.
O descontentamento dos sócios gira em torno da atuação de Motta no escritório Bichara e Motta Advogados. Segundo os autores do pedido, a participação do dirigente em processos como a implementação da SAF do Santos e negociações de atletas de outras agremiações, como o volante Zé Lucas, colocaria em risco o sigilo de informações estratégicas do Flamengo.
O cerne do conflito de interesses
Para os sete grupos signatários — Flafut, NossoFLA, PróFla, Sempre Flamengo, Sinergia, Vanguarda e Vencer —, o acesso a dados sensíveis como orçamentos, folha salarial e estratégias de mercado é uma preocupação imediata. A preocupação é que o fluxo de informações dentro da diretoria acabe beneficiando clientes do escritório do vice-presidente em detrimento dos interesses do Mais Querido.
“O exercício simultâneo de cargos de cúpula no Flamengo e da consultoria técnica em SAF e de negociação em atletas na linha de frente para outros clubes, treinadores e jogadores, cria um gravíssimo e inaceitável conflito de interesses”, afirmam os grupos no documento.
Pressão por isonomia e afastamento
Além de pedir explicações detalhadas sobre os vínculos comerciais de Motta, os sócios requerem o afastamento preventivo do dirigente por um período de 60 dias, amparando-se no artigo 59 do Estatuto Social do clube. A representação utiliza a comparação com o caso de Rodolfo Landim para exigir rigor, citando falas anteriores do atual presidente do Conselho Diretor, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, sobre a necessidade de “exclusividade” ao Flamengo.
Para os signatários, a gestão não pode utilizar dois pesos e duas medidas. De acordo com os grupos, “o Direito e a probidade associativa não admitem a aplicação seletiva das normas”, defendendo que o critério utilizado no passado para o impedimento de outros nomes deve ser aplicado agora com a mesma celeridade.
O cenário político na Gávea é delicado e o episódio se soma a outras insatisfações recentes, como a divulgação de um déficit financeiro de R$ 33 milhões no primeiro semestre. Enquanto a diretoria e o próprio Marcos Motta mantêm silêncio sobre o assunto, o pedido segue para análise dos órgãos competentes do clube. A expectativa é que o desfecho desse processo defina os próximos passos da governança rubro-negra e impacte o clima nos bastidores para os desafios esportivos que se aproximam.
Para acompanhar os desdobramentos desta crise política, confira mais detalhes na reportagem da Equipe M360.











