A arbitragem da Copa do Mundo 2026 está sob fogo cruzado. Seleções africanas e o Paraguai denunciam um suposto tratamento desigual do VAR em lances capitais envolvendo favoritos.
O clima esquentou nos bastidores da Copa do Mundo da FIFA 2026. Após uma série de decisões polêmicas nas rodadas iniciais, seleções africanas elevaram o tom contra a condução do VAR. A sensação predominante nos vestiários é de que as equipes tradicionais estariam recebendo um tratamento preferencial, deixando seleções de menor peso político no cenário do futebol mundial em desvantagem em lances cruciais de pênaltis e expulsões.
Entre os alvos das críticas estão árbitros brasileiros escalados para o torneio. A arbitragem de Wilton Pereira Sampaio no duelo entre Senegal e Noruega gerou revolta após um pênalti claro sobre o meia Gueye ser ignorado, mesmo após breve checagem da cabine tecnológica. O cenário de insatisfação se repete com o árbitro Ramon Abatti, questionado pelo Egito após não assinalar uma penalidade máxima a favor dos africanos no confronto contra a Bélgica.
A revolta de Carlo Queiroz e a sombra sobre o VAR
A situação mais emblemática de frustração ocorreu na partida entre Gana e Inglaterra. O experiente treinador Carlo Queiroz, conhecido por seu temperamento forte, não escondeu a indignação com a postura da arbitragem diante de dois lances claros de penalidade e um possível cartão vermelho para o goleiro Pickford.
“O VAR foi tomar café? Não tenho certeza se o VAR ainda está funcionando na Copa do Mundo. Ainda temos VAR? Está funcionando?”
O sarcasmo de Queiroz ilustra a descrença de muitas delegações que se sentem lesadas pela falta de transparência e critério na utilização do monitor à beira do gramado.
Argélia busca reparação junto à FIFA
O descontentamento não ficou apenas no campo de jogo. A Federação de Futebol da Argélia decidiu formalizar uma queixa oficial à FIFA. O motivo é a permanência de Lionel Messi em campo durante o confronto contra a Argentina, após o craque ter desferido um pisão no zagueiro Aïssa Mandi. Os argelinos classificam a ausência do cartão vermelho como um erro inaceitável e um “escândalo retumbante” de arbitragem.
O efeito ‘Lei Vini Jr.’ e o descontentamento paraguaio
Além das seleções da África, o Paraguai também entrou na lista de reclamações. O caso gira em torno da punição ao jogador Miguel Almirón, que foi suspenso por cobrir a boca durante uma partida. Os paraguaios apontam um padrão duplo, já que o inglês Jude Bellingham cometeu gesto idêntico e não sofreu qualquer sanção disciplinar, levantando debates sobre a imparcialidade das decisões da arbitragem.
Com a fase de grupos se aproximando da definição, a pressão sobre a comissão de arbitragem da FIFA aumenta. O medo é que erros reiterados comprometam a integridade esportiva de uma das edições mais disputadas da história. As seleções seguem em alerta, na esperança de que a tecnologia passe a ser um instrumento de justiça e não de polêmica nos próximos confrontos.










