A Ponte Preta enfrenta um cenário crítico após a rejeição da SAF pelos associados. O clube, mergulhado em dívidas milionárias e atrasos salariais, busca desesperadamente uma saída para evitar a insolvência.
A crise que assola o Estádio Moisés Lucarelli atingiu um patamar de extrema gravidade. Após a Assembleia Geral Extraordinária do último sábado, o diretor jurídico da Ponte Preta, José Henrique Specie, não poupou palavras ao descrever o momento atual da instituição. Com a rejeição do projeto da SAF por parte dos associados, a diretoria alvinegra admite que as opções para salvar a saúde financeira do clube estão se tornando cada vez mais escassas.
A votação, que precisava atingir o quórum de dois terços dos presentes para aprovar o modelo de gestão, terminou frustrada pela mobilização da oposição. O resultado manteve a Macaca em um limbo administrativo, enquanto a pressão externa de credores e a pressão interna, vinda de funcionários e atletas, continuam a crescer dia após dia.
O peso das dívidas e o impacto financeiro
A realidade contábil da Ponte Preta é um dos maiores entraves para a gestão. Auditorias recentes apontaram uma dívida consolidada de R$ 320 milhões, sem contabilizar débitos de IPTU, além de um déficit operacional mensal de R$ 2,8 milhões.
Leonardo Jardim afirmou:
O clube, como é de conhecimento público, não só dos associados, vive numa situação financeira muito sensível, uma situação de praticamente quase insolvência. Não tem muita saída
Segundo o diretor jurídico, a dívida é um acúmulo de gestões passadas, mas que agora chegou ao limite da execução, sufocando o caixa disponível para despesas básicas.
Reflexos no elenco e o futuro incerto
A escassez de recursos tem afetado diretamente o departamento de futebol. Com atrasos salariais que, em casos específicos, beiram um ano, o clube sofreu uma debandada de quase 20 jogadores desde o início da disputa da Série B. Mesmo com tentativas pontuais da diretoria de quitar parte dos débitos, o ambiente segue instável.
Com o projeto de SAF paralisado, a diretoria terá que retomar os trâmites estatutários do zero caso decida insistir na proposta. Isso implica na formação de uma nova comissão, pareceres dos conselhos e uma nova convocação de assembleia. Enquanto o impasse político persiste, a Ponte Preta segue sua luta pela sobrevivência financeira, sob a sombra constante de recordes negativos em campo e o receio de um colapso administrativo sem precedentes.









