Ídolo histórico do clube, o Maestro Junior não poupou críticas à recente mudança no comportamento da equipe dentro do Maracanã, que tem deixado de atacar para o setor Norte no segundo tempo.
A relação entre o Flamengo e o Maracanã sempre foi regida por uma mística que vai além das quatro linhas. Historicamente, a equipe rubro-negra costuma investir em uma estratégia de ataque para o lado Norte — à esquerda das cabines de transmissão — durante a etapa final das partidas, buscando o apoio direto da torcida em momentos decisivos.
No entanto, o abandono dessa prática nos compromissos recentes tem gerado um forte desconforto entre os ídolos e torcedores. O ex-jogador e eterno ídolo Junior, em declarações compartilhadas em suas redes sociais, manifestou indignação com o que considera uma quebra de tradição fundamental.
O Maestro ressaltou que, por gerações, o time utilizou essa tática como um trunfo psicológico e técnico para pressionar adversários e conquistar viradas históricas.
A quebra do costume nos últimos jogos
O levantamento realizado pela Equipe M360 confirma que o Flamengo deixou de seguir o roteiro habitual em suas três últimas apresentações no estádio, enfrentando adversários como Cusco, Coritiba e São Paulo. Nesses confrontos, o time inverteu o lado de ataque, optando por finalizar a partida contra o setor Sul.
Embora o desempenho esportivo tenha mantido um saldo positivo — com duas vitórias e um empate —, a questão cultural levantada pelo ídolo ganhou força nos bastidores da Gávea.
Certas tradições não podem ser quebradas. Atacar no segundo tempo para onde está o maior número de torcedores raiz vem desde que me conheço por gente. Os adversários sabiam e, quando ganhavam o cara ou coroa, escolhiam tirar a gente dessa tradição.
O ídolo rubro-negro reforçou a importância da mística vitoriosa que acompanhou conquistas épicas nas décadas de 80 e 90.
Histórico de glórias atacando para o Norte
A reivindicação de Junior encontra respaldo nos arquivos da história do Mais Querido. Gols memoráveis, como o de Rondinelli em 1978 e o gol do título brasileiro de Nunes em 1980, foram marcados justamente na baliza situada à esquerda das cabines.
A lista de sucessos segue com o tri nacional em 1983, a semifinal da Libertadores de 2019 e a decisão de 2022, além do icônico gol de Petkovic contra o Vasco, em 2001.
Para os próximos compromissos, a expectativa é de que a liderança do elenco, encabeçada por jogadores como Arrascaeta e Bruno Henrique, avalie o impacto dessa mudança. O próximo desafio no Brasileirão, marcado para o dia 09 de agosto contra o Vitória, será um teste para saber se o clube retomará a preferência de campo tradicional após o sorteio do “cara ou coroa”.
A Equipe M360 acompanha de perto se a comissão técnica de Leonardo Jardim irá alinhar o comportamento do time à exigência de manter viva a chama da torcida, ou se a decisão continuará focada puramente em aspectos táticos momentâneos.
O debate sobre a preservação dessas tradições promete seguir aquecido nas redes sociais e nos debates da Nação.








