Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspende liminar que permitia ao Vasco mandar jogo no Maracanã, priorizando conservação do gramado e o calendário internacional.
A disputa judicial em torno do uso do Maracanã ganhou um novo capítulo neste sábado, movimentando os bastidores do futebol carioca e gerando debates sobre a gestão de arenas multiuso. A Fla-Flu Serviços S.A., concessionária administrada por Flamengo e Fluminense, obteve sucesso em medida cautelar que paralisa a ordem de cessão do gramado para o confronto entre Vasco e Boca Juniors, agendado inicialmente para o próximo dia 20 de outubro.
Com a determinação da desembargadora Suely Lopes Magalhães, primeira vice-presidente do TJ-RJ, retoma-se o veto anteriormente imposto pelo relator Alexandre de Carvalho Mesquita. A decisão derruba a autorização emitida na véspera pelo desembargador Marco Antônio Ibrahim, que havia aberto as portas do estádio para o duelo válido pela semifinal da Copa Sul-Americana.
A preservação do gramado e a maratona de jogos
O centro do embate técnico gira em torno da integridade do campo de jogo, recentemente submetido a uma reforma completa entre o final de setembro e o início de outubro após receber um evento da NFL. A administradora do complexo esportivo argumenta que a nova grama ainda carece de enraizamento adequado, tornando insustentável a realização de partidas consecutivas em curto espaço de tempo.
O cronograma do Mengão na Copa Libertadores pressiona ainda mais a operação da arena. O clube rubro-negro enfrenta o Estudiantes em 21 de outubro, apenas 24 horas após a data pretendida pelos cruzmaltinos, com direito a vistoria oficial da Conmebol marcada para o mesmo dia.
A concessionária sustenta que o piso recém-implantado não possui sustentação firme para suportar um fluxo tão intenso de partidas decisivas em período tão curto.
Fundamentos jurídicos e segurança no complexo
Além da questão agronômica, a decisão apontou falhas procedimentais na liberação anterior, incluindo prazos de intimação desrespeitados e conflitos de competência entre magistrados. Outro fator determinante foi a logística de segurança pública. No mesmo horário da partida internacional, o ginásio Maracanãzinho sediará um clássico pelo NBB, o que sobrecarregaria a região com múltiplos fluxos de torcidas organizadas rivais.
Enquanto o imbróglio jurídico prossegue no Órgão Especial do TJ-RJ, a alternativa logística apontada pelas autoridades recae sobre o Estádio Nilton Santos. O campo administrado pelo Botafogo já conta com atestado de viabilidade da Polícia Militar para receber mais de 44 mil torcedores, atendendo aos parâmetros exigidos para competições sul-americanas.












