O Flamengo foi um dos poucos clubes a votar contra a redução do limite de estrangeiros aprovada pela CBF, sugerindo que o futebol brasileiro busque inspiração em modelos europeus.
A recente decisão da CBF de restringir gradualmente a quantidade de jogadores estrangeiros nas equipes da Série A e B do Campeonato Brasileiro gerou forte resistência nos bastidores da Gávea. Enquanto a maioria das agremiações aprovou a nova diretriz, o Flamengo se posicionou de forma contrária à medida, defendendo que o foco deveria estar na qualificação do produto nacional, e não na limitação de mercado.
Marcos Motta, vice-presidente do departamento jurídico do Flamengo, foi um dos principais porta-vozes da insatisfação rubro-negra. Em entrevista à ESPN, o dirigente argumentou que a estratégia de restringir atletas de fora não é o caminho mais eficaz para o desenvolvimento do futebol local.
O exemplo da Premier League
Para sustentar sua crítica, Motta apontou para o modelo adotado pela Premier League, na Inglaterra. Segundo o advogado, o foco deveria ser o tempo de formação do atleta, independentemente de sua nacionalidade.
A Premier League tem as regras dela, o que eles chamam de Home-grown Player, ou seja, você tem uma limitação de 25 atletas seniores, sendo que 17 podem ser acima de 25 anos. A diferença tem que ser de jogadores formados, mas não importa a nacionalidade, importa o tempo de formação.
O dirigente defende que, em vez de inventar a roda, o futebol brasileiro deveria analisar legislações esportivas que já passaram por crivos jurídicos em cortes internacionais, focando em sofisticação e não apenas em restrições lineares.
Impacto prático para o elenco rubro-negro
A nova regra imposta pela entidade máxima do futebol nacional começará a vigorar em 2027, quando cada clube poderá registrar no máximo oito atletas estrangeiros. Esse número sofrerá quedas anuais até atingir o limite de cinco jogadores em 2030. Atualmente, o Flamengo conta com dez nomes internacionais em seu plantel, incluindo peças fundamentais como Arrascaeta e De La Cruz.
Embora o clube precise se ajustar ao longo das próximas janelas de transferência, a postura do Flamengo reflete o desconforto com uma mudança que, na visão da diretoria e de parte da crítica especializada, não ataca problemas estruturais mais urgentes. A avaliação da Equipe M360 é de que a medida tende a encarecer o mercado interno sem garantir, necessariamente, uma evolução técnica no esporte.
Após a definição nos bastidores, o elenco comandado por Leonardo Jardim agora foca na reta final da temporada. Com o calendário paralisado para a Data Fifa, o Rubro-Negro ganha um período de 18 dias de preparação antes de enfrentar o Santos, fora de casa, no dia 8 de outubro, pela 29ª rodada do Brasileirão.








