Gianni Infantino recua e cancela projeto bilionário de privatização das competições da Fifa após forte pressão política de confederações europeias e das Américas.
A proposta de transformar o modelo de gestão da Fifa sofreu um revés definitivo nesta sexta-feira. Em uma manobra estratégica que durou apenas três dias, o presidente da entidade, Gianni Infantino, abandonou oficialmente o plano de criar uma empresa privada para gerir ativos de torneios de elite, como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.
O projeto, que visava injetar cerca de US$ 4,2 bilhões nos cofres da organização através da venda de participações minoritárias, encontrou um cenário de hostilidade imediata. A rapidez com que as principais confederações globais se articularam contra a medida forçou a alta cúpula da entidade a reconhecer que a viabilidade política da proposta era insustentável.
Pressão e isolamento político
O clima nos bastidores do futebol mundial tornou-se tenso logo após o anúncio da ideia. A UEFA liderou o movimento de oposição de forma contundente, ameaçando um boicote severo caso a entidade seguisse com o plano. A Concacaf, representante das Américas do Norte e Central, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também sinalizaram resistência, isolando o projeto antes mesmo da votação formal entre as 211 associações filiadas.
Em nota oficial divulgada pela Fifa, a gestão justificou a desistência alegando que o clima de discórdia superou os benefícios financeiros pretendidos:
Como dissemos desde o início, fazer isso apenas se a maioria das Associações Membro da Fifa apoiasse. Tendo ouvido atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, não atendem mais ao interesse do objetivo estabelecido em primeiro lugar.
Impacto no futuro da entidade
O recuo de Gianni Infantino evita uma crise institucional sem precedentes em um momento crucial, próximo à organização de eventos de grande porte. A tentativa de capitalizar o futebol através de braços privados continua sendo um tema sensível, e o episódio deixa claro que qualquer mudança estrutural na Fifa exigirá um consenso prévio muito mais sólido com as federações continentais.
Por enquanto, o comando da entidade deve manter o formato de gestão atual, enquanto observa a repercussão do desgaste político gerado por essa tentativa frustrada. O episódio reforça a influência decisiva da UEFA e outras confederações nas grandes decisões da casa que rege o esporte mais popular do planeta.







