A corrida pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2030 já começou nos bastidores, colocando a gigante Globo frente a frente com a inovadora LiveMode, dona da CazéTV.
A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 nem chegou ao fim, mas a Fifa já prepara o terreno para o ciclo seguinte. A expectativa é que o processo de concorrência para a edição de 2030, que celebra o centenário do torneio, tenha início ainda neste semestre. O mercado audiovisual brasileiro vive a expectativa de um duelo de modelos de negócio que definirá como o torcedor acompanhará o maior espetáculo do planeta.
De um lado, a Globo, que busca manter sua hegemonia histórica na TV aberta com alto poder de investimento. Do outro, a LiveMode, responsável pelo sucesso estrondoso da CazéTV no YouTube, que mudou a forma de consumir futebol no país. O embate vai além do financeiro, envolvendo projeções de alcance digital e adaptação a novas regras de mercado.
Dois modelos, um mesmo objetivo
Desde que a Globo abriu mão da exclusividade do streaming em 2021, a LiveMode consolidou-se como uma peça-chave na estratégia da Fifa. Enquanto a emissora carioca aposta no modelo tradicional de aquisição de direitos, a CazéTV opera através da divisão de receitas publicitárias com um valor mínimo garantido à entidade máxima do futebol.
“A Fifa observa com atenção tanto o alcance massivo da televisão aberta quanto o engajamento recorde das plataformas digitais, avaliando qual formato maximiza não apenas a receita, mas a presença da marca em mercados estratégicos como o Brasil.”
Desafios e o tabuleiro político
O cenário para 2030 enfrenta variáveis complexas. As restrições do Ministério da Justiça sobre publicidade de apostas esportivas podem impactar diretamente o modelo de negócios da CazéTV, que possui forte dependência desse setor. Já a Globo, com sua estrutura consolidada, segue focada na renovação, mesmo diante de um cenário político instável envolvendo o atrito entre a CBF e a LiveMode, devido às ligações com os investidores da Liga Forte União.
Apesar das tensões políticas, a Fifa mantém a porta aberta para ambas as partes. A entidade ainda não definiu se venderá o pacote total de direitos para um único player — que poderia sublicenciar o conteúdo — ou se manterá a estratégia de fragmentação, que permitiu o sucesso da exibição de 104 jogos em 2026 através de parcerias com o YouTube.
A definição dos direitos para 2030 será um divisor de águas. Seja pela tradição da Globo ou pela inovação trazida pelo streaming da CazéTV, o torcedor brasileiro aguarda ansiosamente pelo veredito que ditará o ritmo da emoção em campo e nas telas pelos próximos anos. A briga promete ser intensa, com a paixão pelo futebol servindo como o grande combustível para este bilionário jogo de xadrez.












