O Chelsea foi punido pela Federação Inglesa (FA) após admitir 74 violações em negociações da era Roman Abramovich, resultando em multa milionária e proibição condicional de contratações.
O Chelsea enfrenta uma nova página em seu histórico jurídico após a conclusão de uma investigação da Federação Inglesa (FA). Nesta sexta-feira (31), o clube londrino foi multado em 10 milhões de libras (aproximadamente R$ 68,5 milhões) por uma série de irregularidades cometidas em transferências de jogadores entre 2009 e 2022. Além da sanção financeira, a equipe recebeu um transfer ban de duas janelas, que permanecerá suspenso até junho de 2027.
O desfecho, embora severo, é visto como um alívio esportivo para os atuais gestores, já que o clube conseguiu reverter, via recurso, a ameaça de perda de pontos na tabela da Premier League. O processo foi originado pela própria diretoria atual, que, ao assumir o comando via consórcio BlueCo, realizou uma auditoria e reportou voluntariamente as inconsistências encontradas às autoridades esportivas.
Entenda a punição aplicada ao Chelsea
Inicialmente, uma comissão disciplinar independente havia imposto uma dedução suspensa de seis pontos, além da multa de 10 milhões de libras. O Chelsea, porém, recorreu da decisão, e o Conselho de Apelação substituiu a punição esportiva por uma proibição de registrar jogadores durante duas janelas consecutivas de transferências.
A restrição, entretanto, não será aplicada imediatamente. O transfer ban ficará suspenso até 30 de junho de 2027 e só poderá entrar em vigor caso o clube volte a cometer infrações semelhantes nesse período. A FA informou ainda que continua investigando possíveis responsabilidades individuais relacionadas ao caso.
Os detalhes das irregularidades
As investigações focaram em pagamentos indevidos a agentes e intermediários entre 2011 e 2018. Segundo a FA, o Chelsea desembolsou mais de 23 milhões de libras para sete agentes que não possuíam registro oficial junto à entidade.
Os pagamentos envolveram transações de nomes de peso que defenderam os Blues, como Eden Hazard, David Luiz, Ramires, André Schürrle e Nemanja Matić. A comissão disciplinar apontou que o uso de empresas ligadas a esses intermediários violou os regulamentos rígidos sobre participação de terceiros em negociações.
Irregularidades ocorreram antes da atual gestão
Todas as infrações estão diretamente vinculadas à gestão de Roman Abramovich. O empresário russo deixou o Chelsea em 2022, após sanções do governo britânico motivadas pelo conflito geopolítico envolvendo a invasão da Ucrânia pela Rússia.
A atual administração liderada por Todd Boehly e Clearlake Capital ressaltou que a transparência foi um pilar fundamental desde o início. Em nota oficial, o clube declarou ter colaborado integralmente com a FA, entregando vasta documentação para esclarecer as práticas adotadas no período anterior à aquisição do consórcio.
Impacto financeiro e futuro
Este não é o primeiro revés financeiro do clube nos últimos anos. Somando-se à multa da FA, o Chelsea já havia sido penalizado pela Uefa com 10 milhões de euros em 2023, além de uma punição imposta pela própria Premier League em março deste ano.
O valor total das multas aplicadas pelos três órgãos já ultrapassa a marca de 18 milhões de libras. Com o transfer ban suspenso, o futuro do clube depende da conduta administrativa nos próximos anos: caso novas infrações semelhantes sejam detectadas até 30 de junho de 2027, a proibição de registrar atletas entrará em vigor imediatamente.










