Em meio a questionamentos, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, rebate acusações de calote, detalhando renegociação de comissões e apontando a origem de uma disputa pontual com um empresário.
O ambiente no futebol carioca esquentou com a recente polêmica envolvendo o Flamengo e seus pagamentos a empresários. Antes do confronto contra o São Paulo, o presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, veio a público para esclarecer a situação, minimizando as preocupações e lançando luz sobre a raiz do problema. As acusações de “calote”, levadas à CBF por agentes, foram veementemente rechaçadas pelo dirigente.
A postura firme de Bap busca defender a integridade financeira do clube, um dos mais sólidos do país, frente a um cenário de reestruturação de pagamentos. Ele destacou que não se trata de atraso, mas de uma manobra estratégica para adequar o fluxo de caixa do Mengão em um período de instabilidade nas receitas.
Recuo Financeiro Estratégico
O dirigente detalhou o panorama que levou o Flamengo a renegociar os prazos de pagamento. A queda nas receitas provenientes de sócio-torcedor, bilheteria em dias de jogo e vendas de produtos adicionais exigiu uma ação preventiva. O clube optou por adiar os pagamentos referentes aos meses de julho e agosto, com a promessa de normalização a partir de outubro e quitação total até o final do ano.
“Primeiro, é o seguinte: cai sócio-torcedor, cai receita de dia de jogo, cai receita de vendas de produtos adicionais ligados ao seu negócio. Com isso, a gente avisou dois meses antes: ‘Olha, tem essa parada. A gente vai pegar o mês de julho e agosto e vai jogar para frente, a gente começa a pagar de novo em outubro e normaliza até o final do ano’”
Origem Pontual da Disputa
Contrariando a percepção de um problema generalizado, Bap enfatizou que a reclamação inicial partiu de um único empresário. Ele elucidou que o Flamengo não firmou um acordo amplo com todos os agentes, mas sim negociações específicas. A discórdia central surgiu de um aumento salarial concedido unilateralmente pelo clube a um atleta.
O presidente explicou que a valorização do jogador foi uma iniciativa espontânea do Flamengo, sem qualquer alteração nas cláusulas contratuais ou intervenção do agente.
“Na verdade, esse acordo não foi generalizado e é muito menor do que apareceu na mídia como um todo. Houve uma reclamação específica. Não vou entrar no caso, mas vou contar de onde vem essa briga. Nós decidimos dar um aumento para um atleta nosso, de forma unilateral, espontaneamente. Não mexemos no contrato do jogador.”
Comissão Indevida
O cerne da questão, segundo Bap, reside na tentativa do empresário de cobrar uma comissão sobre um aumento salarial pelo qual ele não trabalhou. O presidente rubro-negro foi categórico ao recusar tal pagamento, reiterando a política do clube de valorizar seus atletas diretamente.
“Qual foi o trabalho que o agente teve? Zero. Mudou alguma cláusula do contrato? Zero. Aí, ele manda uma cobrança de comissão em cima do que eu estou dando de aumento espontâneo. Eu falei: não vou pagar isso.”
Mercado e Credibilidade Rubro-Negra
Para Bap, a integridade do Flamengo no mercado de transferências não será abalada por esta controvérsia. Ele desafiou a ideia de que o clube teria dificuldade em atrair talentos caso se recusasse a pagar comissões indevidas. A realidade do mercado, na visão do dirigente, demonstra que o Flamengo continua sendo um destino ambicionado por muitos jogadores.
“Quem não quer fazer negócio com o Flamengo, não tem problema. Tira os atletas daqui. A vida aí fora está fácil em outros clubes? Não está. Vai lá e faz negócio com outros clubes. Alguém acha que se eu não pago comissão de agente eu vou trazer o Almada? Não faz sentido, né?”
A manifestação de Bap antes do importante jogo contra o São Paulo mostra a intenção do Flamengo de virar a página e focar no desempenho em campo. A confiança na gestão financeira do clube e a convicção de que a polêmica é isolada com um único agente refletem a força e a tradição do Mais Querido, que segue ditando as regras em suas negociações. O cenário agora é de aguardar os próximos passos da CBF, enquanto o Rubro-Negro mantém sua postura.













