Presidente do Flamengo alerta para crise financeira com novas restrições a apostas.
O Flamengo pode ter um cenário financeiro drasticamente alterado em breve.
O presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, admitiu em entrevista ao Mengo Cast que o clube pode precisar realocar verbas destinadas a reforços para cobrir custos com advogados.
A preocupação surge em decorrência da proibição das casas de apostas no Brasil, estabelecida pela Medida Provisória 1.394/2026.
A declaração de Bap sinaliza uma mudança de prioridades dentro do Rubro-Negro.
A expectativa é que o orçamento que seria investido na contratação de novos jogadores seja, agora, direcionado para questões legais e jurídicas.
Além disso, o presidente alertou que os novos acordos de patrocínio, que o clube já busca ativamente, tendem a render valores significativamente inferiores aos atuais, oriundos de empresas do setor de apostas.
MP das Apostas e seu impacto no futebol
A Medida Provisória que impacta diretamente o esporte levanta preocupações em diversas esferas.
Bap expressou o desejo de que o Supremo Tribunal Federal ou o Congresso Nacional derrubem a MP, argumentando que o clube não tem condições de honrar compromissos assumidos com base em contratos legais vigentes.
A incerteza jurídica paira sobre o futebol brasileiro, com entidades como a Associação Nacional de Jogos e Loterias e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável já acionando o ministro Luiz Fux no STF pedindo a suspensão imediata da medida.
O Sinafut, sindicato que representa atletas, também entrou na disputa, solicitando ao STF a suspensão da MP e propondo uma transição que preserve os contratos atuais até o final de 2026.
Enquanto as decisões judiciais e legislativas não são tomadas, as regras da MP continuam em vigor, com prazo para saques de saldos de apostadores e proibição de novas operações e publicidade a partir de outubro.
Prejuízos estimados e busca por alternativas
A estimativa interna do Flamengo aponta um prejuízo superior a R$ 400 milhões com a perda dos patrocínios ligados a apostas.
A Betano, principal patrocinadora, paga cerca de R$ 268 milhões por temporada e já sinalizou informalmente o risco de encerrar o acordo.
Outras empresas, como a Brax, também contribuem para a receita.
A busca por substitutos já começou, com propostas como a da Fatal Model, que ofereceu pouco mais de R$ 100 milhões por um ano de patrocínio master, menos da metade do valor atual da Betano.
A diretoria também considera a Lubrax como uma potencial parceira.
O impacto da MP se estende para além da folha salarial de reforços.
Bap mencionou o caso de Lucas Paquetá, contratado com pagamento parcelado, e ressaltou que a medida afeta também os esportes olímpicos e campeonatos regionais.
A gestão do clube critica o momento da decisão, próximo às eleições, e, apesar da crise, rejeitou ajuda governamental e viu o BNDES descartar, por ora, linhas de crédito.
A esperança do Flamengo agora se concentra em uma resolução judicial favorável ou em uma rejeição da MP pelo Congresso Nacional.
O futuro financeiro do clube e, possivelmente, de outras equipes afetadas, dependerá dos desdobramentos dessas negociações e decisões.












