quinta-feira, junho 04, 2026

Atletas cobram medidas da FIFA contra riscos de calor extremo na Copa de 2026

Atletas cobram medidas da FIFA contra riscos de calor extremo na Copa de 2026
Atletas Mundiais Alertam para Riscos Climáticos na Copa do Mundo | Reprodução: Freepik / Pixabay
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Atletas de mais de 20 países se unem em manifesto contra a FIFA, exigindo protocolos rigorosos de proteção contra o calor e o fim de patrocínios de combustíveis fósseis na Copa de 2026.

A maior edição da história da Copa do Mundo, que será realizada em 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, enfrenta uma sombra preocupante antes mesmo de a bola rolar. Com o formato ampliado para 48 seleções, o torneio caminha para ser um dos eventos esportivos mais poluentes já registrados, colocando a crise climática no centro do debate esportivo.

Dados do World Weather Attribution (WWA) acendem um alerta vermelho: cerca de 24% das partidas correm o risco de serem disputadas sob condições de calor extremo. A situação é agravada pela previsão de forte influência do fenômeno El Niño entre os meses de maio e julho, período em que o torneio será realizado.

A revolta dos jogadores e o pedido de socorro

Diante da ameaça real à integridade física, craques do futebol mundial decidiram não ficar em silêncio. Um grupo de atletas, incluindo nomes como o norueguês Morten Thorsby, a italiana Elena Linari e o atacante Chuba Akpom, assinou uma carta aberta endereçada à FIFA. O documento é um grito de alerta sobre como as mudanças no clima afetam diretamente o desempenho e o bem-estar mental dos jogadores.

“As temperaturas crescentes impulsionadas pela crise climática já estão afetando a segurança, o desempenho físico e o bem-estar mental dos atletas”, declaram os jogadores no manifesto enviado à entidade máxima do futebol.

Exigências por segurança e responsabilidade

Os atletas não pedem apenas cuidado, mas mudanças práticas e urgentes nos protocolos de estresse térmico. Cientistas sugerem que a FIFA reduza o limiar de intervenção de 32°C para 26°C de Temperatura de Globo Úmido (WBGT), defendendo o adiamento de confrontos sempre que o índice atingir 28°C. A medida visa evitar desidratação, fadiga severa e riscos graves à saúde durante as partidas.

Outro ponto de fricção é o patrocínio da petroleira saudita Aramco. Para os signatários, ter uma gigante dos combustíveis fósseis como parceira principal contradiz o discurso de sustentabilidade da organização.

Sobre isso, Elena Linari foi enfática: “O futebol deve estar ao lado das pessoas, dos jogadores e dos torcedores. Pedimos à FIFA que abandone seu patrocinador do setor de petróleo”.

Cenário de incerteza nas sedes

Cidades como Miami, Dallas, Houston e Nova Jersey — palco da grande final — são pontos de atenção. Em Nova Jersey, por exemplo, o risco de interrupção por calor extremo é 50% superior ao observado na edição de 1994. Além do termômetro, a fumaça de incêndios florestais, comum no verão norte-americano, pode comprometer seriamente a qualidade do ar nas sedes.

O futuro do futebol depende de uma postura mais consciente. Os atletas cobram um calendário mais enxuto e, acima de tudo, um compromisso real com a responsabilidade ambiental. Agora, a bola está com a FIFA: a entidade precisa decidir se colocará a saúde de seus protagonistas e o futuro do planeta à frente de acordos comerciais polêmicos.

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