Atletas de mais de 20 países se unem em manifesto contra a FIFA, exigindo protocolos rigorosos de proteção contra o calor e o fim de patrocínios de combustíveis fósseis na Copa de 2026.
A maior edição da história da Copa do Mundo, que será realizada em 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, enfrenta uma sombra preocupante antes mesmo de a bola rolar. Com o formato ampliado para 48 seleções, o torneio caminha para ser um dos eventos esportivos mais poluentes já registrados, colocando a crise climática no centro do debate esportivo.
Dados do World Weather Attribution (WWA) acendem um alerta vermelho: cerca de 24% das partidas correm o risco de serem disputadas sob condições de calor extremo. A situação é agravada pela previsão de forte influência do fenômeno El Niño entre os meses de maio e julho, período em que o torneio será realizado.
A revolta dos jogadores e o pedido de socorro
Diante da ameaça real à integridade física, craques do futebol mundial decidiram não ficar em silêncio. Um grupo de atletas, incluindo nomes como o norueguês Morten Thorsby, a italiana Elena Linari e o atacante Chuba Akpom, assinou uma carta aberta endereçada à FIFA. O documento é um grito de alerta sobre como as mudanças no clima afetam diretamente o desempenho e o bem-estar mental dos jogadores.
“As temperaturas crescentes impulsionadas pela crise climática já estão afetando a segurança, o desempenho físico e o bem-estar mental dos atletas”, declaram os jogadores no manifesto enviado à entidade máxima do futebol.
Exigências por segurança e responsabilidade
Os atletas não pedem apenas cuidado, mas mudanças práticas e urgentes nos protocolos de estresse térmico. Cientistas sugerem que a FIFA reduza o limiar de intervenção de 32°C para 26°C de Temperatura de Globo Úmido (WBGT), defendendo o adiamento de confrontos sempre que o índice atingir 28°C. A medida visa evitar desidratação, fadiga severa e riscos graves à saúde durante as partidas.
Outro ponto de fricção é o patrocínio da petroleira saudita Aramco. Para os signatários, ter uma gigante dos combustíveis fósseis como parceira principal contradiz o discurso de sustentabilidade da organização.
Sobre isso, Elena Linari foi enfática: “O futebol deve estar ao lado das pessoas, dos jogadores e dos torcedores. Pedimos à FIFA que abandone seu patrocinador do setor de petróleo”.
Cenário de incerteza nas sedes
Cidades como Miami, Dallas, Houston e Nova Jersey — palco da grande final — são pontos de atenção. Em Nova Jersey, por exemplo, o risco de interrupção por calor extremo é 50% superior ao observado na edição de 1994. Além do termômetro, a fumaça de incêndios florestais, comum no verão norte-americano, pode comprometer seriamente a qualidade do ar nas sedes.
O futuro do futebol depende de uma postura mais consciente. Os atletas cobram um calendário mais enxuto e, acima de tudo, um compromisso real com a responsabilidade ambiental. Agora, a bola está com a FIFA: a entidade precisa decidir se colocará a saúde de seus protagonistas e o futuro do planeta à frente de acordos comerciais polêmicos.









