O ‘sumiço’ de Ibañez e Igor Thiago da Seleção Brasileira após a estreia na Copa do Mundo acende o debate sobre as escolhas de Carlo Ancelotti e a busca pela formação ideal.
A Copa do Mundo é um palco onde cada decisão de um técnico pode mudar o destino de uma nação. E no coração do torcedor brasileiro, as escolhas de Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira são sempre motivo de fervor. A estreia contra Marrocos, que terminou em um morno 1 a 1, trouxe à tona duas surpresas na escalação inicial: Ibañez e Igor Thiago. Desde aquela partida, contudo, a dupla parece ter evaporado do campo, levantando questionamentos e agitando os bastidores da Amarelinha.
O fato de ambos não terem disputado um único minuto nas três partidas seguintes – contra Haiti, Escócia e Japão – é um espelho da intensidade e da necessidade de resultados imediatos em um torneio tão grandioso. A expectativa é que ambos permaneçam no banco para o decisivo confronto contra a Noruega pelas oitavas de final, no estádio de Nova York/Nova Jersey. O que explica essa mudança drástica? As razões são complexas, permeadas por questões táticas e, inegavelmente, pelo desempenho dos seus concorrentes diretos.
Ibañez: Da Aposta à Disputa Intensa na Lateral
A aposta em Ibañez como lateral-direito, uma posição adaptada para o zagueiro de 27 anos, surgiu como uma alternativa à ausência de Éder Militão. Sua atuação segura em amistosos pré-Copa parecia ter-lhe garantido a confiança de Ancelotti, que o escalou para o jogo contra Marrocos visando uma equipe mais robusta fisicamente, preterindo o experiente Danilo.
No entanto, a estreia oficial não foi a esperada. O setor de Ibañez foi explorado, e ele recebeu um cartão amarelo no primeiro tempo, sendo substituído por Danilo no intervalo. O veterano do Flamengo entrou e trouxe a segurança necessária, consolidando sua posição nas partidas seguintes. A exigência de maior participação com a bola contra adversários menos ofensivos, um ponto forte de Danilo, apenas reforçou essa mudança.
Igor Thiago: O Artilheiro que Não Achou o Gol
A convocação de Igor Thiago gerou grande expectativa, impulsionada por sua espetacular temporada no Brentford, onde marcou 22 gols e foi vice-artilheiro do Campeonato Inglês, atrás apenas de Haaland. Sua força física e presença de área o credenciaram para iniciar contra Marrocos, com Ancelotti buscando um atacante mais fixo.
Porém, a performance em campo ficou aquém. Discreto nos 62 minutos jogados, Igor perdeu uma chance clara de cabeceio e não conseguiu impactar o jogo. Para a partida seguinte contra o Haiti, a comissão técnica de Ancelotti optou por uma mudança tática, abrindo espaço para Matheus Cunha, que oferecia mais mobilidade e capacidade de associação. A nova formação se mostrou um sucesso, com Matheus Cunha balançando as redes duas vezes contra o Haiti e mais uma contra a Escócia, solidificando sua titularidade.
O próprio Carlo Ancelotti detalhou a diferença entre os atacantes:
“Matheus é mais associativo com a equipe, tem muita qualidade no posicionamento e uma finalização muito forte. Thiago é um atacante totalmente diferente, muito potente, muito inteligente e muito forte na área.”
Embora Igor Thiago tenha sido avaliado para entrar em jogos posteriores e até mesmo testado para o duelo contra a Noruega, nomes como Endrick, Martinelli e Danilo Santos demonstraram maior vantagem na disputa por vagas.
O futebol é dinâmico, e a Copa do Mundo é o teste definitivo dessa máxima. O “sumiço” de Ibañez e Igor Thiago, longe de ser um veredito final, é um testemunho da busca incansável por Ancelotti pela equipe perfeita e pela adaptação tática constante. Enquanto a Seleção Brasileira se prepara para as oitavas de final, a disputa por cada posição segue acirrada, com a “Raça, Amor e Paixão” pulsando em cada decisão. O futuro desses atletas na competição, embora incerto para as próximas partidas, ainda pode reservar reviravoltas, provando que na Copa, nada é definitivo até o apito final.












