O presidente da LaLiga, Javier Tebas, subiu o tom contra a Fifa, exigindo a saída de Gianni Infantino e criticando a expansão das Copas em nome da sustentabilidade dos clubes.
A crise entre as ligas nacionais e a entidade máxima do futebol mundial atingiu um novo patamar de tensão. Em declarações contundentes ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport, Javier Tebas, mandatário da LaLiga, não poupou críticas à gestão de Gianni Infantino na Fifa. O dirigente espanhol colocou em xeque a continuidade do atual presidente e disparou contra os planos de aumentar ainda mais o número de seleções nos mundiais, uma pauta que tem gerado enorme desconforto nos bastidores europeus.
Para Tebas, o foco excessivo em uma competição que ocorre apenas de quatro em quatro anos, com duração aproximada de 40 dias, está sufocando o ecossistema real do esporte. Enquanto o mundo volta os olhos para a Copa do Mundo, o presidente espanhol recorda que são os torneios domésticos e as ligas locais os verdadeiros pilares que garantem o sustento financeiro, a estrutura e a empregabilidade de milhares de profissionais espalhados pelo planeta.
Um ataque direto ao modelo de gestão da Fifa
O desconforto de Tebas vai além da simples logística de calendário. O dirigente acredita que a Fifa está ignorando as necessidades da indústria ao priorizar o inchaço do Mundial. Segundo ele, as decisões recentes, que já elevaram o patamar para 48 seleções em 2026, ignoram os impactos diretos nos clubes, que são quem realmente paga a conta do futebol mundial diariamente.
“Aumentar o número de seleções não faz sentido. A indústria do futebol não é apenas a Copa do Mundo, embora seja o evento mais importante. Mas nem tudo pode girar em torno da Copa. São as competições nacionais que sustentam este esporte”
Preocupação com o futuro da indústria
O tom de Tebas é de alerta máximo. Para ele, a estratégia da Fifa coloca em risco a viabilidade econômica de ligas que movimentam o futebol europeu e sul-americano. A visão é clara: ao expandir o torneio, a entidade sacrifica a saúde financeira dos clubes e o interesse do torcedor local.
“Estão destruindo a indústria do futebol, aquela que gera dezenas de milhares de empregos, por causa de um evento que dura 40 dias e para o qual apenas uma minoria dos jogadores vai”
O pedido de renúncia e as polêmicas de 2026
A relação entre LaLiga e Fifa parece ter chegado a um ponto de ruptura definitivo. Além de pedir abertamente a renúncia de Gianni Infantino, alegando que o dirigente já cumpriu seu ciclo à frente da instituição, Tebas aproveitou para atacar a condução técnica e disciplinar dos jogos. Ele citou decisões arbitrárias tomadas durante o mundial de 2026, como polêmicas com suspensões de atletas e paradas excessivas para hidratação, como exemplos de que a Fifa opera baseada em interesses próprios e não no bem-estar do jogo.
Este embate institucional promete ganhar novos capítulos, especialmente com o calendário cada vez mais apertado. Enquanto a Fifa busca ampliar seu alcance global e receita através da expansão, as ligas nacionais, movidas pelo “Raça, Amor e Paixão” que definem a essência de cada clube, prometem lutar pela preservação do modelo que consagrou o futebol como o esporte mais popular do mundo. O futuro do futebol de seleções e de clubes parece estar em rota de colisão.
















