A Copa do Mundo de 2026 encerrou-se com a conquista da Espanha, mas o torneio bilionário deixa um rastro de polêmicas políticas e questionamentos sobre o futuro do esporte.
A edição mais expansiva da história das Copas chegou ao fim em Nova Jersey, consagrando a Espanha como a grande campeã após uma final eletrizante contra a Argentina. Com a participação recorde de 48 seleções, o torneio nos Estados Unidos, México e Canadá atingiu patamares financeiros nunca antes vistos, com a Fifa projetando uma arrecadação astronômica de US$ 13 bilhões.
Contudo, por trás da grandiosidade dos números e da festa em campo, o legado deste Mundial está longe de ser consensual. O evento foi marcado por uma série de incidentes que colocaram em xeque a autonomia da entidade máxima do futebol mundial e a própria transparência das regras que regem a modalidade.
O escândalo que abalou a credibilidade
O ponto mais crítico da competição foi a revelação de um possível conluio entre o governo dos Estados Unidos e a cúpula da Fifa. Relatos indicam que um telefonema direto do presidente Donald Trump ao mandatário Gianni Infantino teria resultado na reversão da suspensão do atacante americano Folarin Balogun.
“A segurança das regras já não é garantida pelos seus guardiões”, afirmou uma fonte ligada à federação europeia, em um dos muitos momentos de tensão que tomaram conta dos bastidores do torneio.
Comercialização excessiva e exclusão
Além da crise política, a experiência do torcedor foi duramente criticada. A adoção de preços dinâmicos nos ingressos transformou a ida aos estádios em um privilégio de poucos, enquanto as polêmicas “pausas para hidratação” foram interpretadas por muitos como uma manobra para aumentar o tempo de exibição publicitária, transformando o ritmo do jogo em quatro tempos estratégicos para as emissoras.
O rigor desproporcional da segurança nacional americana também deixou marcas, incluindo a proibição de entrada de um árbitro designado pela Fifa, levantando dúvidas sobre a viabilidade de se realizar eventos globais sob condições de restrição diplomática tão severas.
O futuro sob a égide de Infantino
Apesar das críticas ferozes e da insatisfação de boa parte do mundo esportivo, a robustez financeira da Copa consolidou, ainda mais, o poder de Gianni Infantino. Com os cofres cheios e o apoio das federações-membro, o presidente da Fifa já sinaliza que não pretende parar por aqui.
Nos corredores da entidade, o projeto de uma expansão para 64 seleções em 2030 já é tratado como prioridade. Resta saber se o futebol, em nome da lucratividade desenfreada, ainda guardará espaço para a essência do esporte ou se a política e o marketing ditarão, definitivamente, os próximos capítulos dessa história. O torcedor, que ama o jogo acima de tudo, segue observando atento aos próximos passos dessa controversa gestão.














