Sindicato global de jogadores denuncia “abuso de poder” da FIFA após plano secreto de comercialização da Copa do Mundo.
A FIFPro, entidade máxima que representa jogadores de futebol profissional em todo o mundo, emitiu nesta quinta-feira (6) um forte manifesto contra a gestão da Fifa. O estopim para a crítica contundente foi o escândalo em torno da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa planejada para comercializar fatias de importantes torneios, incluindo a Copa do Mundo.
Apesar da retirada do plano pela Fifa, a FIFPro ressalta que o recuo não apaga a gravidade do ocorrido. A tentativa de negociar partes do evento mais importante do futebol mundial a portas fechadas expõe, segundo o sindicato, falhas profundas na governança do esporte e um claro “abuso do poder presidencial”.
Ameaça à Integridade da Copa do Mundo
O plano da FFE visava alterar de forma permanente a propriedade e a governança da Copa do Mundo. Segundo a FIFPro, tal iniciativa foi concebida em segredo, sem o conhecimento do Conselho da Fifa, das Associações-Membro e, crucialmente, dos próprios atletas. A entidade destaca que a negociação avançou a ponto de quase aprovação antes de ser pública.
Leonardo Jardim afirmou:
“Um plano capaz de alterar permanentemente a propriedade e a governança da Copa do Mundo, além de comercializar competições construídas ao longo de gerações, foi concebido em segredo, negociado a portas fechadas e levado à iminência de aprovação antes que o Conselho, as Associações-Membro e os jogadores soubessem. Isso não é apenas uma falha de governança. É um profundo abuso do poder presidencial.”
Exigência por Transparência e Voz Ativa
Em carta direcionada à cúpula da Fifa, a FIFPro reivindica uma revisão completa dos regulamentos internos. O objetivo é evitar decisões unilaterais e garantir que os jogadores tenham uma participação formal nas decisões que moldam o futuro do esporte.
Entre as demandas estão o direito a voto no Conselho da Fifa, o reconhecimento formal dos atletas nas tomadas de decisão e a obrigatoriedade de diálogo antes de quaisquer alterações no calendário internacional ou na expansão de torneios.
Críticas ao Posicionamento da Fifa
A entidade dos jogadores também contestou a postura da Fifa após uma reunião de emergência em Rabat, Marrocos. Na ocasião, a Fifa alegou que todas as tratativas sobre a FFE ocorreram dentro das normas vigentes. A FIFPro rebateu:
“O mais revelador é a insistência da própria Fifa de que fez tudo ‘em total conformidade com o marco regulatório’. Se isso for verdade, não é uma defesa, é uma acusação ao atual sistema. Nenhuma instituição pode restaurar a confiança em uma presidência que destruiu as próprias condições das quais essa confiança depende. Os jogadores não criaram esta crise e insistirão por instituições mais fortes.”
O cenário atual exige uma resposta robusta da Fifa para reconstruir a confiança. A FIFPro sinaliza que os jogadores, como protagonistas do espetáculo, não aceitarão mais ser deixados à margem das decisões estratégicas do futebol global. A pressão por instituições mais fortes e transparentes tende a crescer nas próximas semanas, com impacto direto nas futuras negociações e no planejamento de eventos.








