A Fifa classificou como uma “campanha de difamação” as recentes investidas da Uefa. O conflito jurídico gira em torno de um projeto comercial bilionário que acabou sendo descartado pela entidade.
A relação entre as duas maiores potências do futebol mundial atingiu um novo patamar de tensão. Após o colapso de uma iniciativa comercial voltada para a Copa do Mundo, a Fifa, liderada por Gianni Infantino, disparou contra a Uefa, acusando a entidade europeia de conduzir uma estratégia coordenada para manchar a reputação da organização e de seu presidente.
O epicentro da discórdia é o projeto conhecido como Fifa Forward Enterprise (FFE). A proposta previa a entrada de capital privado na estrutura comercial da federação global, em uma negociação que atingiria a cifra de 4,2 bilhões de dólares. A Uefa, contudo, questionou a lisura do processo, alegando “gestão danosa” e subvalorização de ativos, o que levou a uma disputa judicial travada em tribunais dos Estados Unidos.
O embate judicial
A Uefa acionou a justiça americana para obter documentos internos da Fifa, visando fundamentar possíveis queixas criminais na Suíça. Em resposta, a equipe jurídica da Fifa solicitou a rejeição imediata do pedido, classificando a ação europeia como um movimento com “deficiências legais” e baseada em um processo-crime que, segundo eles, sequer existe.
A entidade máxima do futebol mundial defende que o projeto sempre esteve submetido a trâmites democráticos. A Fifa sustenta que, ao invés de dialogar, a Uefa preferiu utilizar a imprensa para desgastar a imagem de Infantino.
“Em vez de participar do processo, a Uefa optou por um comunicado de imprensa que deu início a uma campanha de difamação”, rebateu a Fifa em documentos oficiais.
Interesses geopolíticos em jogo
Por trás das acusações de má gestão, especialistas apontam uma disputa por influência financeira no futebol global. A Fifa sugere que a resistência europeia seria, na verdade, uma tentativa de proteger a hegemonia da Uefa.
Segundo essa visão, fortalecer financeiramente federações menores — objetivo central do FFE — reduziria o poder de mercado e a dominância política da organização europeia.
O projeto contava com figuras de peso do mercado financeiro, como Joshua Kushner e Greg Maffei, para injetar recursos que turbinariam os repasses às associações nacionais no ciclo 2027-2030. Com o abandono da ideia em julho, o cenário político esportivo permanece instável.
O futuro desta queda de braço é incerto. Enquanto a Uefa mantém o silêncio oficial, fontes indicam que a pressão por transparência e acesso à documentação deve continuar.
O desenrolar do caso promete ditar o clima nas próximas reuniões da cúpula do futebol, num momento em que a Fifa busca ampliar suas receitas globais para além dos moldes tradicionais.







