O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convoca cúpula de emergência em Rabat para tentar estancar o isolamento político e conter a revolta da Uefa após fracasso financeiro.
O comando da Fifa atravessa um dos momentos mais delicados da gestão de Gianni Infantino. Pressionado por um isolamento político crescente, o dirigente convocou uma reunião de crise urgente com o alto escalão da entidade, agendada para esta quarta-feira (5), em Rabat, no Marrocos.
O encontro surge como uma tentativa desesperada de reorganizar a base de apoio do mandatário após o colapso do projeto Fifa Forward Enterprise (FFE).
A iniciativa, que pretendia levantar 4,2 bilhões de dólares através da venda de ações minoritárias, foi cancelada apenas 72 horas após ser anunciada, diante da intensa rejeição do mercado.
O recuo expôs fissuras internas e fragilizou a autoridade de Infantino diante de aliados de longa data.
Pressão europeia e risco de boicote
A Uefa assumiu o protagonismo na oposição ao atual modelo de gestão. Liderada pela entidade europeia, a articulação política já discute abertamente uma mudança no comando da instituição global.
O cenário é crítico, com a possibilidade de boicote das 55 federações filiadas à Uefa em competições oficiais do calendário internacional.
Dentro da própria Fifa, o clima é de insatisfação. O secretário-geral Mattias Grafström descreveu o episódio como lamentável, enquanto Arsène Wenger, chefe de Desenvolvimento Global, reforçou que o cancelamento da proposta foi uma decisão inevitável.
Estratégia no Marrocos para evitar destituição
A escolha do Marrocos como sede da reunião não é por acaso. Sendo um dos países-sede da Copa do Mundo de 2030 e aliado estratégico, o território oferece um ambiente de maior controle para Infantino.
O objetivo principal é blindar sua presidência contra uma reunião de emergência do Conselho da Fifa — manobra que, se atingir a marca de 19 assinaturas entre os 37 membros, poderia resultar na destituição do cargo.
A Equipe M360 aponta:
A sobrevivência de Infantino dependerá da manutenção do apoio de blocos cruciais como a CAF e a Conmebol.
Enquanto enfrenta a pressão da Concacaf e da Confederação Asiática, o presidente tenta assegurar seu quarto mandato consecutivo, com o pleito de março de 2027 já servindo como pano de fundo para todas as negociações nos bastidores.
O futuro do comando do futebol mundial depende diretamente dos acordos firmados nesta quarta-feira.







