A Copa do Mundo de 2026 pode se tornar a mais poluente da história, apesar das promessas de sustentabilidade da FIFA.
A paixão que une o mundo a cada quatro anos com a Copa do Mundo pode estar prestes a deixar um rastro ambiental sem precedentes. A edição de 2026, que será sediada por Canadá, Estados Unidos e México, levanta sérias preocupações quanto ao seu impacto ecológico, correndo o risco de se tornar a mais poluente já organizada pela FIFA. Apesar das promessas de um torneio mais sustentável, os números e a própria expansão do evento indicam um cenário alarmante.
A Expansão que Aumenta a Pegada de Carbono
Um dos principais fatores que apontam para a insustentabilidade da Copa de 2026 é o seu formato ampliado. A competição saltará de 32 para 48 seleções, aumentando o número de partidas de 64 para 104. Essa expansão, distribuída por um continente inteiro, multiplica exponencialmente as emissões de Escopo 3, aquelas indiretas e mais difíceis de controlar. O transporte aéreo das delegações oficiais e de milhões de torcedores estrangeiros entre sedes tão distantes quanto Vancouver, Miami e Cidade do México será o grande vilão.
O Paradoxo da Sustentabilidade
A FIFA tem defendido que a utilização de estádios já existentes, em vez da construção de novas arenas, contribui para a sustentabilidade do torneio. No entanto, essa estratégia parece insuficiente para compensar o impacto gerado pela logística de um evento de tamanha magnitude. A edição de 2022 no Catar, apesar de ter construído a maioria de seus estádios, já gerou uma pegada de carbono significativa, estimada em 3,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono, com projeções independentes indicando um valor ainda maior. Para 2026, um relatório aponta que a Copa pode gerar mais de 9 milhões de toneladas de CO2 equivalente, um número que supera drasticamente suas antecessoras.
Greenwashing e a Urgência Climática
O conceito de “maquiagem verde” ou greenwashing se encaixa perfeitamente na estratégia de sustentabilidade anunciada pela FIFA. Ações como reciclagem nas arquibancadas ou o uso de lâmpadas LED se tornam medidas paliativas diante da escala do problema.
A ciência da sustentabilidade é clara: problemas globais exigem soluções globais, e não apenas gestos superficiais. Enquanto grandes empresas ligadas aos combustíveis fósseis continuarem a patrocinar o futebol, as metas de neutralidade de carbono da entidade máxima do futebol correm o risco de se tornarem apenas promessas vazias.
A crise climática já é uma realidade que afeta até mesmo os gramados, transformando o futebol em uma atividade cada vez mais inviável. As altas temperaturas nas cidades-sede da América do Norte colocam jogadores e torcedores em risco. A solução de refrigerar os estádios em potência máxima agrava o problema ao aumentar as emissões de gases de efeito estufa, um exemplo claro do que o IPCC chama de “má adaptação”.
Se o futebol deseja sobreviver em um planeta em aquecimento, é crucial repensar o modelo. Isso significa apostar em sedes mais compactas e regionais, reduzir o número de partidas e, acima de tudo, colocar o bem-estar do planeta como prioridade máxima, acima de índices de audiência ou interesses econômicos. O apito final para a inação ambiental está se aproximando, e o planeta não admite mais prorrogação.
















