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Cartéis mexicanos tentam controlar ligas de futebol juvenil em meio à escalada da violência

Cartéis mexicanos tentam controlar ligas de futebol juvenil em meio à escalada da violência
Soldados da Guarda Nacional em uma cena de crime onde um corpo foi encontrado em Celaya, cidade industrial no centro do México, em 10 de fevereiro de 2026 (Alejandro Cegarra/The New York Times)
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Em Celaya, no México, o sonho de jovens atletas é ameaçado pela influência brutal de cartéis, que transformam campos de futebol em territórios de violência, extorsão e recrutamento criminoso.

No coração de Celaya, uma cidade marcada pela crônica violência industrial do México, o futebol deixou de ser apenas um esporte para se tornar uma linha de frente. Enquanto o mundo celebra o espetáculo da bola, adolescentes locais buscam nos gramados um refúgio, lutando para manter viva a esperança de uma carreira profissional em meio a uma realidade onde a vida parece valer cada vez menos.

A técnica Sugey Milagros Salinas Grimaldi, fundadora do time Ravens, trava uma batalha diária contra o avanço dos cartéis. Em um ambiente onde narcocorridos — canções que exaltam o tráfico — ecoam nos campos, ela tenta educar garotos como Juan Pablo e Manuel, jovens talentosos que veem no futebol a única via de fuga para a pobreza extrema e o aliciamento do crime organizado.

O domínio do crime nos gramados

A situação em Celaya e na região de Guanajuato é alarmante. Com os cartéis diversificando suas fontes de renda, inclusive através do roubo de petróleo e apostas ilegais, o esporte amador tornou-se um alvo estratégico. Segundo autoridades, grupos criminosos passaram a controlar ligas, usar jogos para lavagem de dinheiro e intimidar comunidades.

“Eles também ganham dinheiro com as apostas das pessoas”, afirmou Juan Pablo Ramírez Talavera, chefe de polícia de Salamanca. O impacto dessa pressão é visível: memoriais e cruzes substituíram as arquibancadas em vários campos, marcando locais onde jogadores e torcedores foram executados.

A resistência através do futebol

Para Salinas, cada treino é um exercício de sobrevivência. O trauma de perder ex-alunos para a violência das ruas alimenta sua dedicação. Ela impõe disciplina e foco escolar como pré-requisitos para os Ravens, na esperança de que algum de seus pupilos consiga uma oportunidade em clubes como o Chivas, de Guadalajara.

Entretanto, o medo é constante. A extorsão, materializada em placas que exigem pagamentos para a prática esportiva, demonstra que o controle social é o objetivo final dos cartéis. Enquanto jovens como Manuel lutam contra seus próprios demônios e o luto familiar, a comunidade se vê dividida entre a vontade de jogar e o temor de desaparecer como tantos outros trabalhadores e jovens na região.

O futuro do esporte em Celaya permanece incerto, mas a insistência de técnicos e atletas mostra a dimensão da tragédia social que o país enfrenta. O futebol, que deveria ser um caminho para sonhos, tornou-se, infelizmente, mais um cenário onde a “Raça, Amor e Paixão” precisa enfrentar a dura realidade de um cotidiano dominado pela insegurança. A pergunta que paira sobre a cidade é se o talento desses jovens será capaz de superar a barreira imposta pelo crime organizado.

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