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Pochettino: o argentino 200% que conquistou os EUA na Copa

Pochettino: o argentino 200% que conquistou os EUA na Copa
Maurício Pochettino acerta lançamento antes de partida de beisebol. Crédito: Mariners
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Pochettino, o “200% argentino”, conquista os EUA na Copa, unindo paixão sul-americana e adaptação surpreendente à cultura local, projetando um futuro vibrante para a seleção anfitriã.

Mauricio Pochettino, um nome que ecoa entre as lembranças do vice-campeonato da Libertadores de 1992 com o Newell’s Old Boys e as glórias europeias com Tottenham e PSG, onde comandou estrelas como Messi, Mbappé e Neymar, agora assume um novo desafio: a seleção dos Estados Unidos. Aos 54 anos, o técnico argentino lidera a equipe norte-americana nas oitavas de final da Copa do Mundo, enfrentando a Bélgica em Seattle. Sua jornada é um fascinante estudo de adaptabilidade e paixão, onde a identidade “200% argentina” se encontra com uma surpreendente imersão na cultura americana.

A narrativa de Pochettino à frente dos EUA transcende o campo de jogo. É a história de um filho de pecuaristas de Santa Fe que, ao invés de se fechar em sua herança, abriu-se para um novo mundo. Essa abertura tem sido a chave para conquistar não apenas os jogadores, mas também o coração de uma nação que, tradicionalmente, não respira futebol com a mesma intensidade da América do Sul.

Do Campo à Fazenda: A Essência de Pochettino

A infância de Mauricio Roberto Pochettino, em uma área rural de Santa Fe, a 320 quilômetros de Buenos Aires, moldou sua ética de trabalho incansável. Cercado por vacas e lidando com porcos na fazenda da família, ele aprendeu desde cedo o valor do esforço contínuo. “Sábados e domingos não existem”, relatou o perfil do site The Athletic, ligado ao The New York Times, destacando como essa base humilde o transformou em uma estrela do futebol e, posteriormente, em um técnico respeitado globalmente.

Conectando com a América: Paixão e Surpresas

Desde que assumiu a seleção americana, há 21 meses, Pochettino mergulhou na cultura local. De jogos de futebol americano universitário a música country, passando por arremessos iniciais em partidas de beisebol, ele tem demonstrado um interesse genuíno. Christian Pulisic, astro da equipe, observa:

“Parece que ele está realmente sintonizado”. Mesmo vindo de uma culinária rica, Pochettino elogia a oferta de alimentos saudáveis nos EUA, mostrando sua adaptabilidade. “Você vai ao Whole Foods e… tem orgânico disso, daquilo, você tem de tudo aqui”, comentou, em uma das entrevistas na Copa do Mundo, revelando um carinho inesperado pelo novo lar.

O Milagre do Hóquei e a Filosofia de Brooks

Um momento emblemático de sua imersão foi a recomendação de Scott Goodwin, um dos empresários envolvidos em sua contratação, para que assistisse ao filme “Milagre” (Miracle). O longa dramatiza a surpreendente vitória da seleção americana de hóquei nas Olimpíadas de 1980 sobre os soviéticos. Pochettino, emocionado, chegou a chorar.

“Representa muito bem a cultura dos EUA. E acho que nos identificamos com tantas coisas assim”, disse ele. Inspirado pelo técnico Herb Brooks, ele adota a filosofia de que “não precisamos dos melhores jogadores, precisamos dos jogadores certos para tornar um time forte”, uma máxima que ressoa profundamente com seu projeto para a seleção dos EUA.

Da Música Country à Conexão com os Jogadores

A abertura cultural de Pochettino tem sido fundamental para sua conexão com os atletas.

O atacante Folarin Balogun destaca: “Ele chegou querendo muito entender a partir da perspectiva dos jogadores o que significa e como é a sensação de ser americano.” A paixão por música country é outro exemplo dessa integração. Após aprender partes de “Take Me Home, Country Roads”, de John Denver, o técnico se tornou um fã, surpreendendo Pulisic ao ouvi-la em seu escritório.

Essa autenticidade e curiosidade genuína cimentaram sua liderança, transformando o treinador “200% argentino” no comandante “100% dos Estados Unidos”.

A jornada de Mauricio Pochettino à frente da seleção dos Estados Unidos na Copa do Mundo é mais do que uma campanha esportiva; é uma aula de liderança e integração cultural. Sua capacidade de se adaptar, valorizar a cultura local e, ao mesmo tempo, manter sua essência argentina, tem sido um fator crucial para a performance da equipe. Com a paixão que o caracteriza, Pochettino não apenas eleva o nível técnico do time, mas também inspira uma nação a abraçar o futebol com fervor. À medida que os EUA avançam na competição, a história do argentino que conquistou a América se torna um dos enredos mais fascinantes do torneio, prometendo capítulos ainda mais emocionantes.

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