quarta-feira, julho 01, 2026

Gramados híbridos na Copa do Mundo desafiam Fifa e dividem opiniões

Gramados híbridos na Copa do Mundo desafiam Fifa e dividem opiniões
Gramado do Lumen Field recebe tratamento com luz artificial para jogos da Copa do Mundo. Foto: Steph Chambers / AFP
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Copa de 2026: Gramados híbridos da Fifa geram polêmica e dividem opiniões entre jogadores e técnicos

O cenário da Copa do Mundo de 2026, que se estende por três países e 16 estádios, impõe desafios únicos para a manutenção da qualidade dos gramados. A Fifa apostou em uma solução inovadora: os gramados híbridos, uma mistura de 90% grama natural com 10% de grama sintética, tecnologia que já é aplicada em locais como o Maracanã e a Arena Corinthians.

A escolha da entidade máxima do futebol por essa tecnologia visa garantir a durabilidade e a estabilidade dos campos, mesmo com a intensa agenda de jogos prevista para o torneio. Christian Eberlin, gerente sênior de Desenvolvimento de Mercado da Yara Brasil, destaca o papel crucial das fibras sintéticas:

“Milhares de fibras sintéticas inseridas abaixo da superfície criam uma estrutura mais resistente, reduzindo a formação de ‘divots’ e mantendo o campo nivelado e seguro”, explica. Essa inovação, já consolidada na Europa, busca adaptar-se às variadas condições climáticas entre Canadá, Estados Unidos e México.

Desafios climáticos e adaptações tecnológicas

As diferenças de temperatura e umidade entre as sedes da Copa, como as temperaturas extremas em Miami e o clima mais ameno em San Francisco, exigiram um planejamento minucioso. A Fifa, em parceria com universidades americanas, desenvolveu um projeto para criar gramados adaptados tanto para climas quentes quanto frios.

Eberlin detalha as estratégias:

“Em regiões quentes, a grama Bermuda é preferida por sua resistência, enquanto o Ryegrass se destaca em climas frios. Para climas variáveis, a prática do ‘overseeding’ garante a manutenção do verde e da qualidade durante todo o ano”, afirma.

Além das variações climáticas, características arquitetônicas como coberturas nos estádios representam um desafio adicional. Arenas como o AT&T Stadium e o NRG Stadium utilizam climatização e iluminação artificial para simular as condições ideais de sol, garantindo a fotossíntese e o desenvolvimento da grama, mesmo em áreas sombreadas.

Essa tecnologia, visível em registros com coloração rosa nos gramados, é fundamental para a manutenção da saúde do campo.

Opiniões divididas: Dureza do concreto e elogios à BC Place

Apesar dos esforços tecnológicos, a experiência dos jogadores com os gramados da Copa tem sido misturada. Estádios com bases de concreto, como o MetLife Stadium, palco da final, têm recebido críticas. Vinícius Júnior e Adrien Rabiot relataram sentir a dureza do concreto sob a grama, afetando a velocidade do jogo e a sensação de “superfície artificial”. Didier Deschamps, técnico da França, também apontou que a rigidez do piso altera o quique da bola.

Em contrapartida, o BC Place, em Vancouver, tem sido alvo de elogios. Jogadores como Aiden O’Neil e Alistair Johnston destacaram a qualidade excepcional do gramado, atribuindo o sucesso a um plantio cuidadoso em fazendas especializadas e à gestão climática do estádio, incluindo o uso de teto retrátil. Essas experiências contrastantes evidenciam como a infraestrutura e as condições locais influenciam diretamente a percepção dos atletas sobre a qualidade dos campos na Copa do Mundo de 2026.

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