A CBF promove uma imersão em Nova York com foco em ligas independentes como a MLS e a NFL, mas a escolha dos modelos gera debates sobre a centralização no futebol brasileiro.
A busca por novos horizontes administrativos levou a cúpula da CBF, além de presidentes de federações e dirigentes de clubes das Séries A e B, a uma imersão estratégica em Nova York durante a Copa do Mundo de 2026. O objetivo declarado da entidade é mergulhar nas boas práticas de governança e gestão das maiores ligas esportivas do planeta.
No entanto, a iniciativa assinada pelo presidente Samir Xaud não passou despercebida pelos olhos críticos dos bastidores. O cronograma, que conta com visitas à MLS (Major League Soccer) e reuniões com a NFL, coloca em evidência um contraste fundamental entre o que é observado lá fora e o projeto que a entidade planeja para o nosso país.
Contradição nos modelos de gestão
O ponto de tensão reside na natureza das organizações visitadas. Tanto a MLS quanto a NFL funcionam como ligas que operam com independência absoluta de suas respectivas federações nacionais. O mesmo padrão foi observado em visitas anteriores da CBF à La Liga, na Espanha, e à Bundesliga, na Alemanha.
“Dirigentes observam que a entidade tem levado clubes para conhecer estruturas em que as ligas possuem autonomia administrativa e comercial, enquanto discute para o futebol brasileiro um modelo que manteria a competição sob o guarda-chuva da própria CBF”, aponta o bastidor da articulação.
Agenda em Nova York
A programação da chamada “Imersão CBF – Nova York 2026″ foi desenhada para ser intensa nos dias 12 e 13 de junho. Nesta sexta-feira, os convidados cumprem agenda na sede da MLS, após um almoço no Hotel Westin. Já o sábado será dedicado a um intercâmbio com representantes da NFL.
Oficialmente, a CBF defende que o objetivo é fomentar o desenvolvimento sustentável da indústria do esporte no Brasil. Contudo, a grande questão que fica para os clubes é: até onde esse intercâmbio servirá para, de fato, descentralizar o poder do futebol nacional, ou se ele se manterá apenas no campo da teoria administrativa? O desenrolar dessas negociações sobre o futuro das competições brasileiras promete ser o próximo grande capítulo nos bastidores do esporte.










