segunda-feira, agosto 10, 2026

“Jogo do Orgulho” na Copa reacende tensão entre Fifa e Irã/Egito por LGBTQIA+

"Jogo do Orgulho" na Copa reacende tensão entre Fifa e Irã/Egito por LGBTQIA+
Torcedor levanta bandeira do Irã com o emblema do 'Leão e do Sol' — Foto: Etienne Laurent / AFP
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Muito antes de a bola rolar, o confronto entre Irã e Egito pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo já se tornou um dos mais polêmicos do torneio.

Marcada para este sábado, em Seattle, a partida voltou ao centro das discussões após a resistência das federações dos dois países às ações ligadas à comunidade LGBTQIA+, previstas para ocorrer na cidade durante o fim de semana.

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Quando definiu o calendário da competição, a Fifa chegou a identificar o duelo como o chamado Jogo do Orgulho (Pride Match), em referência ao fato de Seattle ser uma das cidades americanas historicamente ligadas à defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+ e sediar, na mesma data, a tradicional Parada do Orgulho.

A escolha gerou controvérsia desde o anúncio. Tanto a Federação Iraniana quanto a Federação Egípcia manifestaram oposição à realização de qualquer ação relacionada ao movimento LGBTQIA+ associada ao jogo. Nos últimos dias, a polêmica voltou a ganhar força após declarações de representantes da Federação Iraniana ao site The Athletic.

Segundo um porta-voz da entidade, a posição oficial do país foi comunicada diretamente à Fifa. — Nossa posição é que nenhuma cerimônia ou atividade promocional associada a esse movimento esteja presente dentro do estádio ou no ambiente da partida — afirmou. Segundo o dirigente, a visão também é compartilhada pela Federação Egípcia. — As posições expressadas pelas duas federações refletem os valores e as crenças compartilhados pelos povos dos dois países. Irã e Egito são duas nações muçulmanas com profundas semelhanças culturais e religiosas.

Diante da repercussão, a Fifa buscou reduzir o peso simbólico atribuído ao confronto. Em janeiro, o presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou que não existiria oficialmente um Jogo do Orgulho. — Será simplesmente uma partida de Copa do Mundo. No mesmo dia haverá eventos organizados por entidades externas na cidade — declarou o dirigente à revista suíça Weltwoche. Apesar disso, a entidade manteve uma posição firme sobre o que poderá acontecer dentro dos estádios.

Em resposta ao The Athletic, a Fifa confirmou que bandeiras do arco-íris e outros símbolos ligados à orientação sexual e identidade de gênero continuam permitidos pelo Código de Conduta dos Estádios da Copa do Mundo. Enquanto isso, a programação paralela organizada pelos comitês locais de Seattle será mantida.

As atividades da Pride ocorrerão nas áreas externas ao Lumen Field, incluindo eventos culturais e celebrações voltadas ao público LGBTQIA+. Segundo o The Athletic, as federações de Irã e Egito chegaram a solicitar a retirada da identidade visual relacionada à Pride nos arredores da partida.

O pedido, porém, foi rejeitado pela Fifa, que decidiu preservar a programação organizada pelo comitê anfitrião.

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