A gestão do Maracanã, sob comando de Flamengo e Fluminense, acusa o Vasco de utilizar falsos argumentos em batalhas judiciais, enquanto a dívida por danos no estádio segue pendente.
A disputa judicial entre a concessionária Fla-Flu Serviços e o Vasco da Gama ganhou um novo e tenso capítulo. Em uma petição protocolada recentemente, os dois clubes rivais acusaram formalmente a equipe de São Januário de ter agido de má-fé junto ao Poder Judiciário do Rio de Janeiro. O cerne da discórdia reside na estratégia utilizada pelo Cruz-Maltino para assegurar o uso do Maracanã em uma partida decisiva da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors.
Para os administradores do estádio, a escolha do Vasco em realizar o clássico contra o Flamengo no Estádio Nilton Santos — palco sob gestão do Botafogo — desmoraliza os argumentos apresentados anteriormente pelo clube vascaíno. A Fla-Flu Serviços sustenta que, se o time optou por levar um duelo de tamanha rivalidade para outro local, a insistência anterior pelo Maracanã teria sido apenas uma manobra para pressionar os magistrados.
O embate jurídico sobre a ocupação do estádio
A concessionária descreveu a postura da SAF vascaína como uma tentativa de exibir poder. O documento anexado ao processo é incisivo ao apontar contradições na narrativa do clube ao longo do pleito jurídico, que culminou em diversas decisões, incluindo a autorização unânime do Órgão Especial do TJRJ para que o confronto continental ocorresse no principal palco do futebol carioca.
A concessionária afirmou:
“Concessionária não pode deixar de denunciar a lamentável conduta do Vasco SAF, que na sua sanha incontida de demonstrar alguma espécie de ‘poder’, mentiu ao Poder Judiciário com o objetivo de levar a partida ao Maracanã”
Danos, prejuízos e o silêncio sobre pagamentos
Além da questão estratégica, o montante financeiro gera atrito. A concessionária aponta a destruição de 489 cadeiras, além de depredações em sanitários, bebedouros e placas de sinalização. Segundo a empresa, este episódio representou o maior dano já registrado no local, superando em dez vezes o histórico de vandalismo em jogos anteriores. O valor para reparos está na casa dos R$ 300 mil, quantia que, até o momento, permanece em aberto.
Enquanto a gestão do Maracanã cobra o ressarcimento, o Vasco adota uma postura de conciliação nos bastidores, sinalizando que arcará com as despesas. Contudo, o clube contesta a gravidade das acusações sobre o vandalismo, alegando que parte dos danos, como adesivagens e falhas nos banheiros, seriam problemas estruturais pré-existentes e não responsabilidade exclusiva de seus torcedores.
Cenário para os próximos compromissos
O impacto dessas rusgas estende-se ao cotidiano dos clubes. Após a goleada sofrida pelo Vasco no Nilton Santos, o clima entre as instituições permanece hostil. O Cruz-Maltino recusou uma oferta recente para utilizar o Maracanã na Copa do Brasil, preferindo concentrar suas atenções no duelo contra o Palmeiras, em seu próprio estádio.
Do outro lado, o Flamengo, que lidera o Campeonato Brasileiro, foca na preparação para o confronto contra o Athletico-PR. A partida, agendada para o dia 18 de novembro, marca o retorno do rubro-negro ao Maracanã após a pausa para a Data FIFA. O ambiente, porém, segue carregado de desconfianças e a disputa nos tribunais promete novos desdobramentos, mantendo a gestão dos estádios cariocas no centro de uma crise política e jurídica.








