Ex-jogadores de destaque, incluindo nomes com passagem pelo futebol carioca, veem seus nomes envolvidos em uma investigação sobre certificados fraudulentos de técnico emitidos por Alejandro Mancuso.
Um esquema de comercialização de diplomas irregulares para técnicos de futebol veio à tona e colocou ex-atletas de elite no centro de uma investigação internacional. O ex-volante argentino Alejandro Mancuso, com passagem marcante pelo Flamengo na década de 1990, é apontado por intermediar a venda de credenciais falsificadas em troca de quantias que alcançavam a marca de R$ 100 mil.
A denúncia expõe que grandes nomes dos gramados buscavam um atalho para obter a habilitação profissional sem precisar cumprir a carga horária regular. A ATFA (Associação de Técnicos da Argentina) classificou toda a documentação distribuída pelo ex-jogador como falsa, reforçando que a entidade jamais autorizou tal facilitação para ex-atletas de alto rendimento.
O funcionamento do esquema de facilitação
De acordo com as apurações jornalísticas, o pacote comercializado prometia quatro níveis distintos de certificação, desde categorias de base até o padrão internacional PRO. O diferencial alardeado pelo ex-atleta era a dispensa de aulas e o envio rápido dos papéis pelos correios, sob a justificativa de que carreiras vitoriosas dispensavam o rigor acadêmico tradicional.
Apesar da promessa de validade imediata, o processo legítimo exige anos de estudos progressivos, avaliações teóricas e treinamentos práticos obrigatórios. As autoridades argentinas chegaram a analisar o caso e realizar buscas, embora o processo judicial tenha sido encerrado por entendimento de inexistência de crime na esfera investigada.
A reação dos atletas envolvidos
A lista de citados abrange figuras exponenciais do esporte mundial, como os ex-atletas Petkovic, Paolo Guerrero, Felipe Melo e o zagueiro Thiago Silva. Enquanto alguns confirmaram o pagamento e lamentaram o golpe, outros alegaram acreditar que se tratava de um reconhecimento automático de notório saber esportivo concedido a profissionais consagrados.
Felipe Melo declarou em depoimento sobre o caso:
Eu imaginei que as licenças poderiam ser falsas quando eu comecei a cobrar pela aula presencial e o Mancuso nunca marcava. Pensei: Isso aqui tá errado. A primeira coisa que eu faço é tirar das minhas redes sociais, porque eu estava exibindo que eu era um associado da ATFA, né? E aí peço o meu dinheiro de volta. Diferente de muitos, eu consegui essa façanha aí.
Por sua vez, Alejandro Mancuso refuta categoricamente todas as acusações de comercialização de diplomas. Em sua defesa, o ex-volante argumenta que apenas servia como ponto de contato devido à sua notoriedade no Brasil, negando qualquer vínculo empregatício ou representação oficial junto à associação de técnicos do país vizinho.
O episódio escancara as fragilidades nos processos de transição de carreira para ex-futebolistas e serve de alerta sobre a rigidez exigida por órgãos como a Conmebol e a CBF para a validação de competências técnicas. Com o cerco se fechando sobre credenciais irregulares, a busca por atalhos no comando técnico passa a ser vista com muito mais rigor regulatório.








