O presidente da CBB, Samir Xaud, minimizou a ‘espanholização’ do Brasileirão, defendendo que o sucesso de clubes como Palmeiras e Flamengo é fruto de gestão e planejamento estratégico.
O cenário do futebol brasileiro tem sido palco de um intenso debate acerca da crescente predominância de dois gigantes: Flamengo e Palmeiras. Essa hegemonia, que se reflete em inúmeros títulos nacionais e continentais, tem levado observadores e torcedores a comparar a situação com a ‘espanholização’ da La Liga, onde Barcelona e Real Madrid historicamente monopolizam as principais conquistas.
Diante desse panorama, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, manifestou-se sobre o tema, embora tenha admitido que o termo ‘espanholização’ fosse novo para ele. Sua análise, contudo, foi enfática ao desvincular o sucesso de qualquer “fenômeno” externo, atribuindo-o integralmente à capacidade de gestão e ao planejamento estratégico de cada agremiação.
Gestão e Performance: A Visão da CBF
Para Samir Xaud, a performance dos clubes no campo é um reflexo direto das escolhas e da organização administrativa. Ele ressaltou a autonomia de cada entidade para definir suas estratégias de contratação e desenvolvimento.
“Acho que cada clube tem que gerir da sua melhor forma, fazer as contratações da melhor forma para poder ter rendimento dentro de campo. É uma coisa muito particular e muito peculiar. Nem sempre quem gasta mais vence. Nem sempre quem tem o melhor elenco vence. Isso é o futebol, se decide dentro das quatro linhas“, declarou o mandatário da CBF, sublinhando a imprevisibilidade inerente ao esporte e a importância da execução.
O dirigente da entidade máxima do futebol brasileiro aproveitou a oportunidade para instigar as demais equipes a aprimorarem suas estruturas e métodos. Xaud observou que Flamengo e Palmeiras se destacaram nos últimos anos justamente por sua organização e eficácia.
“Acredito que os outros clubes têm que correr atrás. Os mais organizados, hoje, que estão chegando a mais títulos, Flamengo e Palmeiras, isso temos visto durante os últimos anos. Mas lança-se os clubes ao mercado para tentar bater os melhores times, os mais estruturados. Acredito que isso é uma coisa própria e pessoal de decisões e escolhas do próprio clube“, concluiu, reforçando que a ascensão é fruto de decisões internas bem-sucedidas.
O Reinado de Flamengo e Palmeiras
Os dados dos últimos sete anos confirmam a análise de Samir Xaud sobre o domínio de Flamengo e Palmeiras. O Flamengo, por exemplo, empilhou títulos como a Copa Libertadores da América em 2019 e 2022, o Campeonato Brasileiro em 2019 e 2020, a Copa do Brasil em 2022 e 2024, além de diversas Recopas Sul-Americanas, Supercopas do Brasil e Campeonatos Cariocas.
Não muito atrás, o Palmeiras também construiu uma era vitoriosa, conquistando a Copa Libertadores da América em 2020 e 2021, o Campeonato Brasileiro em 2022 e 2023, a Copa do Brasil em 2020, a Recopa Sul-Americana em 2022, a Supercopa do Brasil em 2023, e uma sequência de Campeonatos Paulistas (2020, 2022, 2023 e 2024). Esse histórico robusto solidifica o argumento da CBF sobre a correlação entre gestão eficaz e sucesso esportivo.
A fala do presidente da CBF serve como um chamado à ação para os demais clubes do futebol brasileiro. Longe de enxergar uma “espanholização” como um problema estrutural, a entidade a vê como um reflexo de boas práticas que podem e devem ser replicadas. O desafio agora reside em como outras equipes irão responder a esse incentivo, investindo em planejamento, gestão e decisões estratégicas para buscar um lugar de destaque e tornar o Campeonato Brasileiro ainda mais competitivo e equilibrado nas próximas temporadas.









